Søren Kierkegaard foi um filósofo dinamarquês do século 19. Considerado o pai do existencialismo, colocou a condição humana como o centro da questão e foi o maior crítico do sistema de Hegel, maior nome daquela época, dizendo que esse focou muito na abstração, deixando de lado o irracional, o inconsciente e a vontade.

O existencialismo de Kierkegaard é estruturado em dois propósitos, sendo eles a liberdade de escolha e a busca por um propósito. Segundo o filósofo, nós somos livres para escolher toda e qualquer coisa e essa liberdade traz consigo a angústia, pois o indivíduo se vê perdido e enxerga na vida um absurdo. Com isso, Kierkegaard apresenta os três modos de vida na qual o indivíduo utiliza para fugir da dor de existir: Vida Estética, Vida Ética e Vida Religiosa, em que estamos passando de um estágio inferior para um superior.

O primeiro estágio, a Vida Estética, caracteriza-se pela busca do prazer. Aqui, o indivíduo só suporta a sua existência quando está no ato do gozo, embriagado, dopado, com grandes doses de adrenalina. Nesse modo predomina-se um egoísmo exacerbado, onde a pessoa, sem objetivo algum na sua experiência de vida, anula completamente a existência de outros e vai em busca apenas de seus prazeres mundanos.

No segundo estágio, a Vida Ética, o indivíduo consegue se enxergar dentro de um coletivo e, guiado pelas noções de certo e errado, preocupa-se com questões relacionadas à sociedade e à política. Aqui também nasce os afetos da solidariedade, da empatia, do respeito, pois o indivíduo sabe que, assim como ele, as outras pessoas também importam.

Já o terceiro estágio, a Vida Religiosa, pode ser dividido em dois: o primeiro é aderindo a uma igreja, seguindo sua doutrina, participando da sua rotina; o segundo Kierkegaard chama de “salto na fé”, onde o indivíduo cristão se joga no absurdo da vida pois crê na existência de um ser transcendental que dá sentido a todas as suas ações.

De acordo com Kierkegaard, todos esses modos de vida fracassam, colocando o ser humano novamente em um estado de angústia, com exceção do estágio do “salto na fé”. Mas para ele, essa angústia, de certa forma, faz parte para que o indivíduo supere-se, pois, também segundo o filósofo, qualquer conhecimento a ser produzido começa com o ser humano entristecendo-se. Existe muita sabedoria na angústia, mas é uma sabedoria muito pesada para carregar.

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Posted by:HERNANDES

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