Escrevi “Tudo” após uma conversa esclarecedora, no meu quarto, no escuro, sozinho, ouvindo “A Message” da Kelela, em um momento muito sensível e muito inspirador num nível que tive a necessidade de transformar o que eu sentia em palavras. Inicialmente deveria ser um texto corrido, mas na minha cabeça a frase “eu gosto de tudo em você” girava em looping.

Ao longo de sua estrutura frases são repetidas de forma a dar ênfase num afeto metafísico entregue à irracionalidade. Sua transição é muito simples, com palavras banais. Talvez essa banalidade que tenha tornado o poema tão sensível. Depois de escrever, confesso que chorei lendo.

É um poema que fala sobre uma paixão puramente dionisíaca que, depois de muito sofrimento, teve seu lado apolíneo de volta. É sobre acreditar no amor fati, gostar de alguém sem ser recíproco, mas saber que isso não é culpa de ninguém e, com isso, deixar ir. “Tudo” é uma bifurcação onde os dois seguem por vias diferentes.

Em “Tudo” é como se eu terminasse de maratonar uma série ruim que eu gosto muito, desligasse a televisão e enfim seguisse a minha vida.

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Posted by:HERNANDES

Formado em Engenharia Civil e graduando em Administração de Empresas, sou ótimo com números, mas também tenho afinidade com palavras.

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