Banks se tornou minha cantora favorita. A conheci há quase cinco anos por intermédio do DJ Totally Enormous Extinct Dinosaurs, na qual eu ouvia muito e que a ajudou no ponto de partida da sua carreira. De lá para cá, foram vários EP’s até chegar ao seu incrível debut ‘Goddess’ e sua obra magna ‘The Altar’.

Minha identificação com Jillian Banks, seu nome de batismo, está em todos os aspectos. Sua estética com muito preto, muito vermelho e elementos místicos me agrada muito; seu som denso é capaz de me transcender e suas letras doloridas são trilha sonora para meus fracassos amorosos.

Em todos os seus trabalhos fica bem claro que Banks é uma mulher que foi abandonada muitas vezes. É possível identificar diferentes afetos políticos em decorrência disso. Banks tenta superar o término, tenta provar para si e para o outro que ela vale a pena e que a pessoa que a fez sofrer na verdade saiu em débito do relacionamento. Só que muitas vezes acontece a recaída, vem a saudade e o sentimento de que poderia ser diferente, de que eles poderiam ajudar um ao outro a suportar o peso do mundo.

O afeto político mais marcante em seu trabalho é o amor, mas esse ainda na sua forma de paixão. Esse afeto nada mais é que uma vontade, um querer irracional, inconsciente e incontrolável que nos domina. Sim, infelizmente o amor é “apenas” um querer. Sua faixa mais dolorida é, sem dúvidas, “Better”, que carrega não só o amor enquanto afeto político, mas também o desamparo, o esgotamento e a esperança.

Em “Better”, Banks se apresenta tão dominada que chega ao ponto de rastejar, se humilhar e implorar para ter alguém. Todos os versos da música são doloridos, como “Baby, see”, “Try to see”, “Why don’t you see?”, “I can love you better than she”, “I can love you better than she can”. É um desespero notável, como se sua vida dependesse da companhia dessa pessoa. Isso para mim é muito forte.

Estou no meio de um processo de esquecer um homem que me marcou em muito pouco tempo. Estou tentando superá-lo há meses e consigo ver o meu progresso, mas ainda assim me importo muito com ele. Assim como a Banks, quero passar a imagem de ser alguém forte, mas ainda me sinto frágil quando estamos perto e fico triste ao nos idealizar juntos.

Tenho muito medo de nunca superar. Tenho medo de chegar num ponto onde eu, já inundado pela saudade, implore por atenção assim como em “Better”. Tudo fica ainda mais triste quando penso que na minha única experiência de vida eu estou sofrendo por não aceitar que alguém não me ama.

No fundo, o meu maior medo é amar para sempre.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

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