Sempre que vou escrever algo eu começo o texto com um tema pensado previamente e o desfecho se dá no próprio ato da escrita. Mas hoje me veio um impulso muito forte, uma vontade de transformar o aleatório em palavras, assim como estou fazendo agora.

Lá na Grécia Antiga, tantos anos antes de Cristo e mais importante, antes de Sócrates, existiam dois filósofos bem diferentes entre si. Heráclito de Éfeso, considerado o pai da dialética, foi um homem de sentimentos profundos, padecido completamente pela melancolia. Heráclito era conhecimento como “o filósofo que chora”. Já Demócrito de Abdera era o contrário: ria de tudo, assim bem simples. Demócrito era conhecido como o “filósofo que ri”.

Embora bem diferentes, os filósofos se assemelhavam em um aspecto: Demócrito ria pelo mesmo motivo que Heráclito chorava. Ambos reconheceram a vida como um absurdo e reagiram de formas contrárias. Qual dos dois estava certo? Bom, não existe verdade absoluta e a resposta depende da sua representação.

Convenhamos, apenas numa visão muito religiosa a vida se apresenta com algum sentido. É muito difícil acreditar que nós temos uma missão a ser cumprida durante nossa existência e que juntos andamos em direção a um propósito. Almejando a filosofia em relação à vida, ocorre a tragédia ao dar de cara com o nada.

A vida caminha-se sem rumo. Diante dessa constatação, pode-se chorar se sentindo perdido e pode-se rir com a possibilidade de criar o próprio trajeto. Depois de chorar muito, de precisar de ajuda para me manter de pé, ultimamente tenho utilizado da técnica de Demócrito e rido bastante, com ou sem motivo.

Nunca estive tão indiferente ao que quer que seja. Já não me importo tanto com o passado e menos ainda com o futuro. Um dia de cada vez, tendo coragem ao amanhecer e descansando aliviado com a chegada da noite.

Afirmando a vida, venha o que vier, estou completamente entregue.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

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