Desde que comecei essa caminhada do conhecimento para me compreender, usei Schopenhauer como um dos meus pilares. Não sei se fui pelo caminho certo, sou apenas um curioso que investiga seus sentimentos, mas fato é que me identifiquei com os escritos do filósofo alemão, o que já diz muito sobre mim.

Sua obra magna, “O Mundo como Vontade e Representação”, é a bíblia do pessimismo. É muito fácil chorar lendo esse livro de mais de quinhentas páginas, pois seus escritos são um tanto agressivos. “A vida é um pêndulo que oscila entre a dor e o tédio” talvez seja a frase mais dolorida.

Schopenhauer criou um sistema metafísico onde a Vontade é a essência que move o ser humano. Segundo o filósofo, a Vontade é irracional, cega, muda e insaciável. O homem não consegue controla-la, e ela é a causa de todo sofrimento.

Em “O Mundo como Vontade e Representação” não há carnaval. A felicidade aqui é inalcançável e, talvez isso assuste os mais otimistas, mas Schopenhauer tem (muita) razão. A tal da felicidade, enquanto estrutura duradoura, é impossível. Ninguém é feliz, e sim alegre, e mesmo assim não por muito tempo.

Isso acontece, principalmente hoje graças ao capitalismo, porque a Vontade está sempre pedindo algo. Nós sofremos buscando algo, sofremos se não conseguirmos e, se alcançarmos, vem o tédio, ou seja, mais sofrimento. Essa busca pela felicidade só traz sofrimento, angústia e ansiedade, porque o presente é sacrificado visando o futuro.

Há quem brada aos céus que é feliz, pois o contrário seria pecado. Ser infeliz é quase um crime hediondo na visão de uma sociedade massivamente cristã. Mas não, ninguém é feliz, a condição humana como ser desejante não permite isso. Nem no paraíso onde dizem que é harmônico nós alcançaríamos a felicidade, porque um lugar tranquilo é o perfeito cenário para uma guerra.

Esse conhecimento da felicidade enquanto mito é como um analgésico para uma dor coletiva onde todos sofrem por não serem felizes. Tem relação com não se cobrar tanto, em lutar contra a angústia e essa felicidade mercantilizada.

Não existe felicidade, mas existem momentos felizes. Isso alivia um pouco.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

8 replies on “O mito da felicidade

  1. Pondo em conta que qualquer palavra que formos dissecar (no caso aqui a “felicidade”), temos como referência o homem, não o gênero homem, mas o homem como conhecemos hoje, um ser desejante, do mais pobre ao mais rico, do feliz ao mais triste, do ignorante ao sábio. O homem deseja ser feliz, e mais; deseja ser feliz e deseja que aquela felicidade dure. O filósofo Kant indica que a busca da felicidade, a busca do prazer e da satisfação é mero instinto, ou seja, é de natureza humana.

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  2. Pessimista ou realista? Ver a realidade como ela é ( nada bonita ), não vejo como pessimismo e sim como sinal de coragem e força. Quando eu ler conto sim. Tenho que comprar ainda então vai demorar um pouco! Não espere acordado ! 😄

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  3. Eu não li nada desse filósofo incrível. Infelizmente. Venho namorando a ideia a tempos. Vou ainda ler algo dele esse ano. Porém, pelo pouco que disse eu concordo. Conclui isso por mim mesma. Lutando contra aquela ideologia imposta que temos que ser felizes ou é falta de fé, simplesmente rechaçada por não entender a felicidade. Quando a verdade sempre questionei a mesma. Gostei muito do texto e me deu mais vontade ainda de ler. Para quem está começando a ler, qual me indicaria ?

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    1. Indico “O Mundo como vontade e representação” mesmo, a escrita de Schopenhauer é a mais clara entre os filósofos. Leia, mas tome cuidado para não absorver tudo. O pessimismo de Schopenhauer é algo que nós não devemos seguir à risca, ela é muito forte e influencia nosso bem estar.

      Curtido por 1 pessoa

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