Todos os dias eu saio de casa e volto me questionando se o que estou fazendo é realmente o que eu quero para a minha vida. Eu não sei o que eu quero e me sinto perdido na única experiência de existência que eu tenho ou vou ter, condenado a permanecer neste corpo até o fim.

Não consigo acreditar na teoria cristã de que meu corpo é um e minha alma é outra. Pra mim é tudo corpo, e esse corpo que habito não se contenta apenas com comida e água. Ele aspira à filosofia, à dança, à arte. A minha vontade de potência é tão grande que chego a me afogar de informação, tudo buscando uma evolução que eu ainda não sei até onde vai.

Estou vivendo uma crise que beira à calamidade, mas que é linda proporcionalmente. Flutuo entre o poder e a vulnerabilidade. Há dias que me acho uma pessoa incrível, sensível no seu grau mais positivo, filósofo com toda a sua tendência à especulação e completamente entregue ao amor, pronto para amar e ser amado. Há dias que me acho alguém vazio, totalmente desinteressante ou um farsante que está prestes a ser desmascarado.

Metade de mim é pensamento, e a outra metade é sentimento. Desenvolvendo meu amor fati, percebo que, na verdade, tudo está acontecendo do jeito que deveria ser. Eu não posso mudar meu passado, então que eu possa extrair a partir dele a essência mais pura da vivência, essa que constitui a nossa vida. E sobre o futuro, venha o que vier, parece que atingi um nível de ancestralidade já capaz de encarar qualquer caos.

Nunca estive tão inspirado. Escrevo como alguém que está fazendo o caminho contrário e vindo da morte direto para a vida. Transcrevendo meus sentimentos em palavras eu me sinto imortal, quero que meus escritos atravessem anos para que eu me lembre de como foi a minha história. Não sei onde estou, ou onde vou. Minha mente é inquieta e eu só quero dizer sim.

Minha solidão, as violências que sofri, as pessoas que passaram pela minha vida, tudo se foi. Inclusive, cheguei à conclusão que as pessoas que passaram pela minha vida, se permanecessem não agregariam nada na minha existência. É tudo passado, e tudo me fez ser assim. Quero atravessar tudo sem ressentimento.

O jeito que me expresso não diz nada, ao mesmo tempo que diz tudo. Me encontro na cama e escrevendo esse texto, penso que várias poesias poderiam ser escritas sobre mim. Pareço um personagem de algum filme do Woody Allen, onde minha melancolia é tanta que consigo sentir o fim do mundo chegando, mas de forma calma, com uma música experimental tocando no fundo.

Sinto que neste exato momento não há nada mais inspirador que eu no meu quarto. Segundo Schopenhauer, a arte é o que vale a pena na vida e, do lado de cá, eu me identifico como uma.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

3 replies on “A personificação do eu lírico 

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