Neste exato momento estou deitado na cama pronto para assistir ao último episódio de ‘Girls’ enquanto me entupo de pipoca de micro-ondas e reduzo minha expectativa de vida tomando refrigerante. Estou amando estar aqui, por vários motivos.

Hannah, Marnie, Jessa e Shoshanna chegaram a sexta temporada como minhas amigas íntimas. As conheci em 2012, sem pretensão, e achei interessante quatro garotas perdidas na vida tentando realizar seus sonhos, mesmo não sabendo como.

A verdade é que ‘Girls’ chegou ao fim no mesmo momento em que a minha fase ‘Girls’ começou. Antes eu gostava porque eu achava interessante, mas depois de um tempo eu comecei a gostar porque eu me identificava.

Eu gosto de escrever como a Hannah. Acredito que eu consigo me expressar muito melhor pelo meio da escrita do que por meio da fala. Ainda mais tendo o português como minha língua materna, simplesmente o melhor idioma do mundo onde se é possível descrever qualquer sentimento em palavras. Assim como a personagem da Lena Dunham, sonho em ser ouvido, quem sabe eu seja a nova voz da minha geração? Eu tenho tanta coisa pra falar. Em um mundo de youtubers histéricos, qualquer pessoa normal que saiba transmitir o que sente deve ganhar holofote.

Eu sou “careta” igual a Marnie. Quer dizer, não sei a palavra que devo usar para definir a vontade que eu tenho de ter uma vida afetiva normal. Namorar, noivar, se casar, ter um filho e um cachorro labrador. A gente tá vivendo um momento onde o desafeto está na moda, então ler alguém dizendo que quer o básico e comum pode soar um pouco estranho. Mas sou assim e acredito que nem tenho motivos pra mudar. Ora, amar um pouquinho demais nunca foi crime.

Eu sou “diferente” que nem a Jessa. Meus gostos culturais fogem do convencional. Eu sou Lykke Li, FKA twigs e BANKS. Sou Woody Allen e Almodóvar. Harper Lee e Marian Keyes. Passo horas lendo sobre filosofia, desde o existencialismo do Sartre até o niilismo do Nietzsche. Sou terrivelmente apaixonado por fotografia, mas pelo o que me inspira, e nisso me refiro ao Ren Hang, ao Matt Lambert e ao Slava Mogutin. Minha mente é uma bagunça de discos, filmes, livros e revista, mas aquela bagunça onde você sabe onde está cada coisa.

Me cobro tipo a Shoshanna. Essa pressão de ser alguém na vida, mesmo não sabendo o que isso significa, é algo que me envenena. Tenho mania de planejar tudo. Eu me comparo aos outros. Tenho medo de terminar igual a algumas pessoas que eu conheço. Acho que o capitalismo vem me dominando. Esqueço de viver o hoje e passo a vida ansioso pelo amanhã.

Vou sentir saudades. ‘Girls’ é talvez a única série que eu amo de verdade, mas às vezes o amor é pra sempre. Obrigado por tudo nesses anos juntos.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

One thought on “Entre Hannahs, Marnies, Jessas e Shoshannas

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