Nesse exato momento existem três amigos falando de mim enquanto tomam açaí. Sentados à pequena mesa de madeira na calçada, debatem sobre minha atual fase tirana, profunda e complexa.

O primeiro diz que eu sou carente, que cheguei a um ponto delicado, pois nunca namorei e estou sedento por atenção. Fala que é da minha natureza afetiva, que sinto vontade de sentir e de ser sentido.

O segundo diz que eu preciso focar em mim, que num momento tão frágil e aparentemente desesperador, afetivamente falando, delicado do jeito que estou, posso aceitar qualquer coisa. Fala que devo me fechar, me conhecer, dessa forma estarei apto a filtrar o que eu quero ou não para minha vida.

O terceiro diz que eu só quero alguém porque não sei o que é namorar, que do contrário eu preferiria estar solteiro. Fala que um relacionamento me privará e que eu, ser livre que sou, não me contentarei em permanecer em uma gaiola.

Eu não consigo mais entender o que eu sinto. É tanta coisa dentro de mim que aparentemente eu seria um ótimo estudo de caso para a psicologia. Parece que tenho um abismo no peito, algo tão grande que seria impossível preenche-lo com qualquer um.

Não fico seguro em dizer que sou ou estou carente. Ora, o ser humano construiu a sua vida com relacionamentos, portanto é muito mais necessidade do que vontade. Talvez eu pudesse ser chamado de carente se eu sentisse necessidade de beijar dúzias de pessoas toda vez que vou a uma festa.

Autoconhecimento é uma característica dos sábios. Eu, prepotente e inocente, achei que dominava esse departamento. Nada. A cada dia eu vejo o quanto eu não me conheço. Estou em frenética transformação e encontrei em Foucault um refúgio: “Não me pergunte quem sou e não me peça para permanecer o mesmo”. Mas fato é que minha história eu não posso esquecer, coisa que tenho feito muito. Não mereço nada menos que o melhor.

Demonstrar desafeto se tornou prática tão banal quanto ir à padaria comprar pão. Vida de solteiro exaltada principalmente por aqueles que têm alguém para mandar mensagem de “bom dia” e “boa noite”. Que me desculpem, mas não consigo ver nada melhor na vida que amar e ser amado. A vida, inclusive, só vale a pena por causa do amor.

Amar continua sendo a coisa mais incrível do mundo. Foge da minha capacidade de compreensão quem se orgulha por não amar ninguém. A reciprocidade, essa que já me faltou tantas vezes, nos dois lados do caos, segue dando a cara para uns e as costas para outros. Estou no meu canto, sensível confesso que sou, observando o amor girar e eu ficar.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

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