Nas relações homoafetivas muitas vezes o sexo vem antes da intimidade. Esse contato com o outro se tornou uma espécie de tabu na minha vida com o passar dos anos: sinto que eu preciso ter um mínimo de afinidade para tirar a minha roupa.

Quando penso em sexo casual e no quanto ele é idolatrado me sinto deslocado. Não digo que nunca o fiz, mas quando aconteceu eu torci para acabar desde quando começou. É vazio, me remete a um estado de inquietação e angústia e, logo após o ocorrido, me vejo jogado numa vala sem utilização.

Tenho medo de me envolver com quem, pra mim, ainda não tem uma definição. Não gosto de lidar com sexo de forma leviana e corro de pessoas insensíveis. Existe um jeito de acabar comigo: é só me expor. A minha intimidade eu compartilho com quem confio, ela não é panfleto para ser jogada nas mãos de pessoas aleatórias.

Muito provavelmente na fase mais conturbada – mentalmente falando – da minha vida, já me vi várias vezes sem libido a ponto de, sempre exagerado que sou, falar comigo mesmo que sou assexuado. Não chego a esse extremo, mas posso afirmar que sim, transar estava fora de cogitação num momento onde a concentração já não se fazia presente.

Sexo tem a ver com qualidade de vida, com autoestima e, acredito eu, com bem estar físico. Longe de me sentir bem com meu próprio corpo, a falta de me relacionar com quem quer que seja (que eu gosto) me colocava numa situação de desânimo total. Eu sou carente, sinto falta de afeto e saudades de alguém que eu ainda não conheço. Mas, depois de algum tempo, voltou a acontecer.

No meu quarto o que se via era um corpo nu. Magro, frágil e inexperiente. Minhas mãos grandes conseguiam contornar sua cintura fina com sobras. O suor estava ligando duas almas íntimas que se conhecem há tempos. Esquecendo tudo o que me aflige, eu estava sentindo e dando prazer.

A penetração, parte mais íntima, aconteceu de forma natural. Seu rosto de expressão entregue, seus olhos fechados e sua boca aberta produzindo gemidos me dava satisfação. Queria saber o que ele estava sentindo, ou talvez não. O mistério traz um conforto considerável.

Depois de um tempo, chegamos ao final e sujamos o lençol da cama. Nos beijamos e, indo para o banheiro, já não o via como um menino que eu ficava esporadicamente, e sim como um homem que me fazia bem a sua companhia.

Ver alguém gozar de prazer por mim aumentou o meu ego. Transar com quem eu gosto foi como um analgésico. Me senti leve e satisfeito. Estar com alguém que quer a sua companhia é como um descanso em pleno campo de batalha. Voltei a estar bem, a não pensar tanto e apenas contemplar o que a vida tem de melhor para me oferecer.

Estou melhor que antes, onde me encontrava na trajetória de colisão entre minhas faculdades mentais. A intimidade compartilhada me alivia. O meu corpo é amor, não somente do peitoral ao cóccix, mas sim do fio de cabelo até a unha do pé.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

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