Há um tempo atrás, num dia como esse, me vi completamente detonado nas ruas vazias do Ideal. Com alma indigente e sentindo a solidão me estraçalhar de dentro para fora, olhava para o céu enquanto “Sozinho” do Caetano, uma música arrasadora, insistia em tocar na minha cabeça.

Era mais um dia comum de sofrimento sem fim, impulsionado por um mês apocalíptico de dores infinitas. Consigo criar a minha própria imagem ali, com a visão de uma terceira pessoa. Naquele momento, talvez o ápice da angústia a ponto de sofrer em público, eu simplesmente chorava, ao mesmo tempo que apresentava um olhar de quem estava à beira da morte, afogado em meus próprios sentimentos.

Sofria por alguém, mas não é assim tão simples. A paixão é como autossabotagem, um sentimento que te faz chegar ao insano, distorcendo a imagem da pessoa em questão e criando, na sua mente, alguém perfeito. A volta da razão é como um acidente onde um carro bate de frente com um caminhão, sem sobreviventes e com enterro de caixão fechado.

Eu sentia saudades, só que de alguém que não existe. Alguém que eu criei e que depois de um tempo foi embora, fazendo eu me sentir uma catraca de ônibus. Como de repente eu me via com tudo, de repente eu também me via sem nada. Fui do céu ao inferno e voltei rastejando, machucado, com antibióticos não fazendo efeito.

Meu amor não é um carro de som, mas é exagerado. Meu emocional é tão frágil quanto a masculinidade do homem hétero e não me permite falhas, me obrigando, especialmente agora, selecionar com quem compartilho a minha intimidade.

Sigo me recuperando. Não choro por ninguém, e sim por alguém que ainda não conheço. Alguém que faça meu mundo niilista voltar a ser a terra de luta traçada em busca da utopia.

Curta a página do ‘Acerbo aos Domingos’ no Facebook.
Anúncios
Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

3 replies on “A paixão como autossabotagem

  1. Oi, Hernandes! Adorei seu blog. Visualmente super bacana e seus textos são muito inspirados.
    ” (…) Sofria por alguém, mas não é assim tão simples. A paixão é como autossabotagem, um sentimento que te faz chegar ao insano, distorcendo a imagem da pessoa em questão e criando, na sua mente, alguém perfeito. A volta da razão é como um acidente onde um carro bate de frente com um caminhão, sem sobreviventes e com enterro de caixão fechado.”
    Exatamente. A paixão é idealizada. Você sofre por algo que nunca existiu. Achei esse parágrafo perfeito.
    Parabéns.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s