Não é segredo pra ninguém que eu venho lutando contra mim mesmo e que nas últimas semanas essa guerra tomou uma proporção maior do que eu consigo guardar comigo. Ainda não sei se o que eu tenho é depressão ou ansiedade, mas fato é que minha mente se tornou tão agressiva que, já sem forças, fui procurar ajuda.

Ontem fui a um bloco de carnaval, tentei sambar, conheci pessoas e reforcei o laço de amizade com outras. Foi divertido. Hoje, segunda-feira, estou sozinho em casa e a minha própria presença é insuportável. Muito provavelmente quem é mentalmente saudável não consegue entender o que se passa comigo, ou com nós. Eu fico angustiado, tenho pensamentos destrutivos e penso muito em morte.

Em pleno feriado, acordei não eram oito horas. Sem nada pra fazer, fiquei deitado olhando para o teto. O calor de Ipatinga castiga logo pela manhã de modo que é impossível encará-lo sem a ajuda de um ventilador. O barulho incansável e repetitivo da hélice foi a trilha sonora para a minha autorreflexão. Penso em trabalho, estudos e no quanto eu odeio ficar sozinho.

Sou uma pessoa que sente na alma a solidão. Passei a maior parte da minha vida sozinho e, mesmo quando estou junto a alguém, ainda acho que falta algo. Talvez seja amor. Ao mesmo tempo que sempre me sinto sozinho, nunca me senti amado. Os meus pseudorelacionamentos são frustrações que me mutilam.

À tarde eu choro. É impressionante como depois do meio dia o clima fica muito mais pesado. Choro às vezes sem motivo, ou por causa de um descontentamento geral. Eu penso no último cara que eu me relacionei. Penso muito nele. Talvez tenha sido a primeira grande decepção da minha vida e prefiro pensar que na próxima eu estarei mais preparado. Não choro o querendo de volta, pois sei que ele não é legal. Acho que choro porque eu sinto falta de alguém que não existe. Criei a imagem da minha alma gêmea. Eu não estava preparado para compartilhar da minha intimidade.

Me sentindo morto, sou invadido por uma vontade indomável de sair de casa. Vou com a mesma roupa do corpo, coloco em alguma playlist aleatória do Spotify e saio desgovernado pelo Bom Retiro. As ruas estão vazias. Passo próximo ao clube Industrial e sinto as almas que ali estão se divertindo ao som das marchinhas. Ironicamente, o celular me presenteia com uma música que eu já tinha ouvido, mas não sabia o nome. É “Ride” do Twenty One Pilots. No final dela repete-se uma frase várias vezes. “I’ve been thinking too much, help me”. Eu fico assustado.

Volto para casa depois de uma longa caminhada. Ao passar da porta cai uma chuva monumental. Agora sempre que eu for atingido sem piedade por uma dessas crises, vou escrever a fim de entendê-la. Todos os diários estarão na categoria “Pandemônios”. As palavras me aliviam muito, então farei o que for possível para acalmar a mim mesmo.

FOTO DE CAPA: Ren Hang, fotógrafo chinês que nos deixou essa semana.

Curta a página do ‘Acerbo aos Domingos’ no Facebook.

Anúncios
Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s