Eu preciso realmente abandonar o Facebook. Segundo pesquisa recente do The Happiness Research Institute, o uso da rede social influencia negativamente no estado de bem-estar das pessoas. Há tempos percebi que aquele site joga minha autoestima no chão e pisa como se estivesse matando um inseto, mas não é pra menos: lá é como se as derrotas não existissem.

Alguém alguma vez postou no Facebook que tomou pau na matéria de Cálculo I? Ou que se saiu pessimamente na entrevista pro estágio na Cenibra? Ou que o combo dieta + academia não deu certo?

Não, ninguém posta sobre isso. Até porque temos vergonha dos fracassos. Talvez seja por isso que eu busco nas séries e nos filmes aquilo que me falta na vida real: justamente a realidade. “GIRLS” é uma série de gente idiota na qual eu me sinto incluído ali, naquele mundo dos 20 e poucos onde nada parece ir a lugar algum. “Blue Jasmine” é a verdade escancarada que Woody Allen nos presenteia sobre a vida de quem finge uma realidade que não é dona. Muitas vezes a arte é mais real que a vida, porque nelas as pessoas erram. Fracassar é normal.

Quando sua vida vai mal, sempre há como piorar: seu primo que passa em medicina na UFPE, ou seu amigo que tem a mesma idade que você que passa num concurso público federal e vai morar na Lapa. O Facebook é o holofote disso tudo. Enquanto isso na minha geladeira pode ser encontrado água e cola superbond.

Acredito que de alguma forma todas as pessoas da minha rede fizeram um complô de colocar em um relacionamento sério todos de uma só vez. Isso me deixa muito pra baixo, e eu nem quero namorar agora.

Por favor, parem de divulgar felicidade. Tem gente aqui lutando pra conseguir pelo menos ficar bem. Não piorem as coisas para o meu lado, eu sou ansioso e quero tudo de uma vez: me formar na faculdade com emprego bom, relacionamento estável e dois cachorros, Lênin e Stalin. Vamo tentando.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

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