Já passou da meia-noite e eu estou em um apartamento que possui três quartos, uma cozinha, uma sala, um banheiro e uma área de serviço, em um bairro nobre da cidade. A única luz acesa é a do cômodo que estou, sentado no chão, com o computador em cima de uma almofada. Eu estaria sozinho, não fosse a saudade que teima em atrofiar meu peito, não fosse a luta que eu escolhi enfrentar.

Não sei a última vez que eu escrevi, muito provavelmente foi há mais de um mês. Me culpo muito, pois várias coisas mudaram e escrever é uma forma de eternizar o que eu estou sentindo hoje – e eu estou sentindo muita coisa. É como se pegassem todos os sentimentos e batessem em um liquidificador, num mix que vai desde a felicidade irritante até à tristeza nauseante.

Me mudei da casa dos meus pais para trabalhar num projeto que será bom para meu histórico profissional. Em alguns lugares do mundo, é preciso migrar para sonhar, e comigo não é diferente.

Moro com duas amigas e com uma hamster. Nós nos damos muito bem, possuímos praticamente as mesmas opiniões, os mesmos vícios e a mesma vontade de atingir o que ainda não conhecemos.

O trabalho me consome das 8:00 às 18:00 de segunda a sábado. Não minto, não gosto muito do que faço, mas preciso ganhar dinheiro para me sentir livre, pois onde vivo quem tem dinheiro detêm o poder.

A faculdade segue sem piedade, eliminando qualquer tempo que eu possa utilizar para lazer. Mas quando penso que ano que vem me formo, sinto um alívio. Eu me esforcei tanto para estar aqui.

Minha mãe me manda mensagens semanalmente e sempre me lembra o quanto ela me ama. Pergunta se estou comendo, se preciso de dinheiro, se tá tudo bem comigo. Não pensei que teria esse afeto justamente depois de deixar a casa dos meus pais. Um poeta dentro de casa não é ninguém.

Os relacionamentos continuam a boiar como um pedaço de madeira  num corpo d’água lêntico. Sinto falta do Hyuri e do Luciano. Acho que ambos seguiram com suas vidas. No caso do primeiro, foi eu quem disse que não queria namorar, e no caso do segundo, a vingança do destino veio sem dó e me aplicou o mesmo golpe que eu tinha usado.

As minhas horas livres não tenho com quem compartilhar. Sinto orgulho quando penso no meu lado profissional, e fico decepcionado quando penso que, mesmo que eu conquiste o mundo, não tenho com quem celebrar.

No mais, está bem. Está melhor que antes. Talvez seja impossível ser feliz por completo. Essa tristeza que carrego comigo é apegada a mim, até mesmo quando eu vivo a vida que eu queria.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

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