A mulher de vida nômade usa suas músicas de engajamento bélico para lutar ao lado das classes oprimidas.

Seu nome é M.I.A., cantora britânica mas de origem tâmil que passou a infância no Sri Lanka e a adolescência na Índia para depois voltar ao Reino Unido, estreou em 2005 com o álbum Arular. M.I.A. colocou o nome de seu pai, um engenheiro, escritor e ativista do Sri Lanka, em seu debut porque se esse procura-se seu próprio nome no Google, poderia encontrar o disco da filha, numa tentativa de reatar a relação tão conturbada dos dois. Com orgulho de suas origens e com vontade de mostrar a música do “terceiro mundo” de uma forma mais globalizada e com um engajamento nas causas sociais inédito, M.I.A. nos apresentou uma liquidificador cultural estonteante.

Unindo Pop, Hip Hop, Dancehall, Funk Carioca, Reggaeton e Electroclash, a cantora usou de batidas frenéticas para fazer dançar ao mesmo tempo que fazia críticas sociais, religiosas, políticas e ideológicas, com uma inteligência enorme para mostrar seu ponto de vista. Destaque para os singles Bucky Done Gun, Galang e Sunshowers.

Atingiu seu ápice no segundo disco, Kala, nome da sua mãe, uma costureira também do Sri Lanka. Com seu maior hit, Paper Planes fala sobre imigração, tema mais recorrente de M.I.A., que se arma em defesa dos refugiados. Com esse álbum, conquistaria os holofotes.

Já em MAYA, a cantora volta com o mesmo teor político que nos álbuns anteriores, em faixas como a controvertida Born Free, que até ganhou um documentário, e a ácida Meds and Feds, além do carro-chefe com mais cara de hit XXXO.

Em Matangi, a cantora se ergue em batidas de funk carioca e apresenta uma lista de música que, apesar de não demonstrarem o mesmo engajamento político dos trabalhos anteriores, mostram uma mistura étnica pouco explorada, como em Y.A.L.A., Double Bouble Trouble e Sexodus.

Agora em seu mais recente álbum, AIM, M.I.A. abre os trabalhos com Borders, mega hit sobre a guerra da Síria e sobre a questão dos refugiados como um todo que ganhou um clipe monumental dirigido pela própria cantora. Go Off, com uma batida que lembra um indiano eletrocutado, segue pelo álbum que, bem mais calmo que os outros, traz M.I.A. para o ativismo que a marcou no começo da carreira. A questão da imigração abrange praticamente todo o trabalho, que já nos traz uma ideia apenas pelo nome das músicas, como Foreign Friend, Visa e Fly Pirate. Destaque para um postulado a hino chamado A.M.P. (All My People) com todo seu aparelhamento eletrônico.

Fala-se que AIM é o último álbum de M.I.A..Nós esperamos que não seja o fim de uma artista multicultural que nos mostrou que a música também pode ser usada como instrumento político. De qualquer forma, a obra de uma das poucas vozes femininas que grita contra a opressão não será esquecida, mesmo daqui a muitos anos.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

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