A santa que arrecadou milhões e os usou para expandir o culto ao sofrimento, enquanto seus doentes morriam sentindo dor.

Definitivamente a religião não é mais intocável. Se antes regras eram seguidas sem questionamentos, falhas da igreja eram vistas por quem não queria enxergar e santos eram ídolos absolutos, agora o senso crítico coloca à prova tudo o que é nos passado. Prova disso é a canonização de Teresa de Calcutá, tida como ser exemplar, mas que com pesquisa chegou-se à conclusão que essa seria uma mãe da pobreza, e não dos pobres.

Christopher Hitchens, autor dos documentários The Missionary Position: Mother Teresa in Theory and Practice (A Posição do Missionário. Madre Teresa na Teoria e na Prática) e Hell’s Angel (Anjo do Inferno), é um dos maiores críticos de Teresa de Calcutá. Hitchens acompanhou Teresa pelas ruas da cidade indiana e a viu elogiar a pobreza, a doença e o sofrimento, chamando esses de “presentes do céu”.

Aroup Chatterjee, médico indiano hoje residente em Londres, diz que Teresa “aos pobres pediu resignação e os ajudou a morrer, mas sem lhes dar cuidado profissional”. Mesmo a congregação das Missionárias da Caridade, fundada pela agora santa, ter recebido milhões de doações, os cuidados aos doentes ficavam longe da adequaridade. Teresa utilizou as doações para expandir o catolicismo mais fundamentalista que cultua o sofrimento, ao invés de cuidar dos moribundos que sentia a dor os matar, e mesmo assim não recebiam sequer um analgésico forte.

Hemley González, cubano-norte-americano que em 2008 foi voluntário na congregação Missionárias da Caridade conta que “ia viajar pela Índia e decidi fazer trabalho social. A marca de Madre Teresa é tão forte, que mesmo sem ser religioso foi a primeira coisa que me ocorreu. Eu me dei conta de que se tratava de uma violação sistemática dos direitos humanos e de um escândalo financeiro”. González ainda fala que várias vezes viu agulhas sendo lavadas com água e usadas de novo, que as missionárias medicavam os doentes com remédios vencidos, além de ter presenciado um voluntário dar de comida a um paralítico, que se engasgou e morreu.

Se por um lado Teresa admirava o sofrimento das pessoas, quando ela própria caiu na doença, voou de primeira classe para a Califórnia para se tratar com profissionais, longe da carnificina que ela própria criou.

Ninguém quer ouvir verdades sobre seus ícones. Ainda são poucos os que ouvem quem Teresa de Calcutá realmente era, pois não querem deixar manchar a imagem de até então um exemplo a ser seguido. O mundo realmente carece de ídolos.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

2 replies on “Teresa de Calcutá, mais amiga da pobreza que dos pobres

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