A luz do sol atravessa a janela e atinge a cama sem piedade. O incômodo da claridade é a primeira coisa que se sente. Olho para o lado e observo um corpo nu, relaxado, ainda no mundo paralelo do sono. Sinto arrependimento, não entendo o motivo que me fez ir para a cama com um, sendo que amo outro. Tenho um sentimento de nojo, achava que casualidade fosse outra coisa.

Me levanto e me visto. As paredes do quarto detêm de uma cor clara imaculada, não fossem os quadros sem sentido que nelas são cravados. Não sinto apreço por nada ali, não conheço aquele lugar, ou aquela pessoa, e não sei se quero conhecer – muito provavelmente não.

Pego minha mochila e saio do quarto na ponta dos pés. Faminto, chego à cozinha e com a faca mutilo presunto e mussarela. Coloco no meio de um pão e ponho para assar entre a vida e a morte. Como enquanto tomo o suco que também encontrei na geladeira, um daqueles que vêm na caixinha e que são caros, o que não faz sentido pois seu gosto é quase um xarope para garganta inflamada.

Desço seis andares de escada. Tranquilamente, enquanto observo o que os moradores dali penduram em suas portas de entrada. Uma mulher sobe com compras e me cumprimenta com um sorriso silencioso. Aquelas compras deveriam ser para o almoço em famílias, afinal é domingo.

Saio por uma rua plana, arborizada, muito provavelmente de renda alta, silenciosa. Praticamente uma bolha monoclasse. Nem ônibus passa aqui, seus moradores não utilizam transporte público. Eu não faço parte desse mundo.

Sigo para o ponto onde espero mais ou menos vinte minutos até minha linha passar. Entro no ônibus e me sento no fundo, quase no último assento. Coloco meu fone de ouvindo e no aleatório meu celular me presenteia com Robyn.

Vou embora como se nada tivesse acontecido. Não me lembro sequer do seu rosto direito. Mas no papel que deixei na mesinha ao lado da cama eu me despeço. “Foi bom te conhecer, até nunca mais”.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

7 replies on “Foi bom te conhecer, até nunca mais

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