No último domingo a ginástica artística brasileira viveu um dia histórico conquistando a medalha de prata e de bronze na prova de solo das Olimpíadas do Rio de Janeiro com Diego Hypólito e Arthur Nory, respectivamente. Enquanto o Brasil celebrava o finalmente triunfo de Hypólito, a imagem de Arthur Nory voltava a ser manchada: seu passado racista foi desenterrado, o que dividiu sua conquista entre comemoração e fúria.

O episódio foi em 2015, durante treinamentos em Portugal, em que Arthur Nory, Fellipe Arakawa e Henrique Flores, publicaram um vídeo no Snapchat fazendo piadas de alto teor racista, provocando Angelo Assunção, outro atleta brasileiro: “Seu celular quebrou: a tela quando funciona é branca. Quando ele estraga é de que cor?”, pergunta Nory, que ouve “Preto!”, como resposta. “O saquinho do supermercado é branco. E o do lixo? É preto!”.

A Confederação Brasileira de Ginástica não fez vista grossa com o vídeo, encarou o problema de frente e puniu os atletas. Arthur Nory pagou pelo o que fez e pediu desculpas tanto a Ângelo Assunção como aos brasileiros. Mas parece que isso não bastou, por isso o vídeo foi desenterrado no dia em que ganhou sua primeira medalha.

Arthur Nory não foi perdoado por muitos, mas não tem mais o que fazer. E os que não o perdoaram, também não sabem o que o atleta deve fazer para se redimir. É uma controvérsia gigantesca. O episódio racista foi há bastante tempo e Nory parece realmente ter se transformado e até mantém uma amizade forte com Ângelo Assunção. A esquerda também possui sua mídia sensacionalista, como a Revista Fórum, que depois da conquista do atleta voltou a postar links que parecem querer que Arthur Nory se mate para ser perdoado.

Nenhum de nós nasceu politizado. Todos nós já tivemos preconceitos (e ainda temos) no passado, mas que hoje entendemos o quão imbecis fomos, e mesmo assim não nos matamos por isso. Pedidos de desculpas contam, sim. Se acreditarmos que as pessoas não podem mudar, então nossas lutas serão em vão.

Quando acreditamos que não há perdão, nos colocamos no mesmo patamar daqueles que acreditam que “bandido bom é bandido morto”, que a redução da maioridade penal é a solução e que a pena de morte deve ser implantada. Nós não queremos isso.

Perdoar não é esquecer. Arthur Nory deve ser perdoado por nós, porque ele já foi perdoado por Ângelo Assunção, que foi a vítima. Nós lutamos porque acreditamos que as pessoas podem ser transformadas com informação. Nós acreditamos que elas podem mudar.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

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