A escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 foi recebida com festa não só pelos brasileiros, como também por países vizinhos que se orgulharam, pois seria a primeira vez que nossa América do Sul receberia os Jogos. Chegado ano do evento, a tocha de chama tenaz se depara com um país revoltado, que vê o fogo olímpico como persona non grata.

Foram vários episódios desde que a tocha chegou e começou seu trajeto. Desde momentos sangrentos, como a morte da onça Juma, a onça mascote do primeiro Batalhão de Infantaria da Selva, que acompanhava sua passagem por Manaus (capital do Amazonas) e foi abatida a tiros quando se aproximou muito perto de um soldado durante a cerimônia de passagem, até quedas de condutores, tentativas de sabotagens, roubos e enfim o seu ápice em Angra dos Reis, quando a tocha foi apagada por manifestantes.

O mal-estar do brasileiro com a realização das Olimpíadas não é surpreendente. As pessoas que consideram a tocha como maldita pensam que o país não deveria sediar os Jogos, visto sua condição financeira e a urgência em se investir em outros lugares, como sempre saúde e educação, que parecem não encontrar uma solução.

É totalmente compreensível a revolta. O Brasil está em recessão, o desemprego cresce e são inúmeros os casos de corrupção que surgem todos os dias. É um sistema defeituoso difícil de consertar. Mas estão usando o ridículo como militância, o que já foi visto em outras datas, como quando em alguns momentos em que as manifestações de 2013 pareciam uma competição de quem escrevia o cartaz mais engraçado.

Não são inteligentes todos esses atos com a finalidade de apagar a tocha, atrapalhar seu trajeto, ou até mesmo roubá-la. Apagaram a tocha em Angra dos Reis, e, não surpreendente, nada mudou. O que era para ser um ato de demonstração de revolta com todos os problemas que vivemos, se torna na verdade um ato de desrespeito.

Desrespeito com os atletas que não são responsáveis pelos problemas estruturais do país e que treinaram durante anos para os Jogos. Como ficam as meninas do vôlei, nosso esporte mais campeão, quando veem o vídeo de um homem jogando um balde de água na tocha? Ou os meninos do handebol, ao verem uma pessoa vestida de preto tentando furtar a tocha na mão do condutor?

É desrespeitoso com o esporte num todo, que também não tem nada a ver com os problemas do Brasil, muito pelo contrário, as modalidades inserem na sociedade pessoas até então excluídas, tiram das drogas pessoas vulneráveis e tornam outras símbolo de que sim, é possível ser campeão, mesmo que tudo te leve para o caminho obscuro da vida.

Mesmo que revoltados, precisamos lembrar quem são os verdadeiros responsáveis pelos nossos problemas e que os Jogos Olímpicos só estão aqui porque nós os convidamos.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

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