Nós chegamos para apontar o dedo e falar alto o que está errado, denunciar quando formos oprimidos e lutar por mais igualdade. Ouvimos sempre que somos muito extremistas e que “agora tudo é homofobia, machismo e racismo”, e olha só: não só agora, mas sempre foi homofobia, machismo e racismo, porém antes não entendíamos, mas com a informação que temos hoje podemos denunciar com total convicção os mais variados preconceitos que teimam em criar raízes numa sociedade desigual.

Sempre que cometo o crime de apontar o preconceito na fala de quem quer que seja, sinto que as pessoas querem que sejamos calmos, pacientes e que aceitamos suas “opiniões”, mesmo que essas frases soltas agridam ainda mais um grupo oprimido. Querem que sejamos bonzinhos e que nos enquadremos no que eles acham correto, para que assim a sociedade seja simpática conosco e nos respeite. Querem nos domesticar e nos dar migalhas como recompensa. Mas nós não queremos.

Nós já até fomos apelidados de “Geração Mimimi”, mas o que consideram como “mimimi”, eu considero como militância, e nós não vamos nos calar.

Centenas de gays e lésbicas morrem por ano no Brasil vítimas de homofobia. A expectativa de vida das travestis é de 30 a 35 anos no país e essas se encontram em grande maioria em situação de prostituição por causa da falta de oportunidades. A cada uma hora e meia uma brasileira é assassinada por um homem e a cada dois dias uma mulher morre ou é internada em hospitais em função de complicações causadas por aborto clandestino. Jovens negros estão morrendo vítimas de uma polícia que entra na favela e atira sem antes julgar. O racismo no Brasil cria um apartheid: a maioria dos ricos são brancos e a maioria dos pobres são negros. O ódio ainda mata e cria populações invisíveis onde não é possível sequer obter estatísticas.

A piadinha despretensiosa mata travestis todos os dias. A objetificação de mulheres em comerciais de cerveja ajudam no feminicídio. O gatilho da arma que vai matar um gay é puxado toda vez que alguém fala de forma pejorativa “bicha”, “veado”, “boiola”. São várias situações que tornam nosso atual cenário mais do que obscuro. Com todos esses dados negativos, é preciso ser extremista.

A LGBTfobia deve ser crime, assim como o feminicídio e o racismo. As mulheres devem escolher no que diz respeito a seu corpo e a vida dos jovens negros importam. Vamos mudar essa situação na marra. Vamos ser desagradáveis, colocar o dedo na ferida, apontar seus privilégios e nos defender atacando quando for preciso.

É preciso ser extremista, radical, hardcore. A gentileza não é transformadora, muito menos revolucionária.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

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