Estou trabalhando na Prefeitura Municipal de Ipatinga. Sou estagiário e faço parte do Setor de Tributos Imobiliários, a SETI. O trabalho principal é atender os pedidos de revisão feitos pelos contribuintes: ir à casa deles, fazer as medições, passar o desenho para o AutoCad e fazer alterações no sistema (o valor do IPTU é de acordo com a área do lote e edificações).

Fazendo esse trabalho eu pude estar em contato com a realidade: existem pessoas muito ricas e pessoas muito pobres. É uma desigualdade sem tamanho. Enquanto no bairro Cidade Nobre João vive numa casa de mais de mil metros quadrados com direito a piscina e quadra esportiva, no Limoeiro José mora praticamente num casebre, numa rua estreita e sem asfalto.

Maria sai de sua casa no Cariru e vai de carro para o trabalho, um veículo que deve custar mais que o barraco de Joana no Barra Alegre. Indo para as extremidades da cidade, as casas chics dos bairros ao redor da área da Usiminas, com seus recuos de cinco metros e jardim na frente, dão lugar a casas que estão cada vez mais próximas à rua, que brigam por espaço e invadem áreas públicas.

Os mais ricos só convivem entre si. No máximo mantém uma relação com suas empregadas que são de bairros pobres. Mesmo com a famigerada crise, muitos ainda viajam com suas famílias para o exterior, compram marcas caras, não andam de ônibus nem pela paz mundial.

Neglicenciados, os moradores das periferias, negros em sua maioria, encontram-se sem emprego. Eles não têm profissão, perspectiva de vida, nem respaldo de quem quer que seja. Mas a população rica e o governo não parecem se importar muito com isso.

Muitos conseguiam trabalhos de menores níveis na Usiminas, mas com as demissões em massa, encontram-se à mercê do que der e vier, e, se não fossem os programas sociais como o Bolsa Família, a situação seria extrema.

A família que atravessa o Bom Jardim dentro do seu SUV com ar-condicionado ignora aqueles do lado de fora que estão sendo castigados pelo sol que teima a queimar. Cada um tenta conseguir dinheiro do seu jeito, fazendo bicos, vendendo salgados, bordando panos de prato.

É uma lástima a perpetuação da desigualdade social. Precisa-se parar de normalizar essa diferença tão grande entre ricos e pobres, negros e brancos. Faz necessário urgentemente medidas mais drásticas para equiparar as classes. Nós só seremos felizes quando formos todos iguais.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

5 replies on “Ipatinga de ricos e pobres

  1. Morei em Ipatinga por mais de 10 anos e há pouco mais de um ano e meio me mudei para outra cidade e o que vi foi exatamente a mesma coisa: pessoas que ganham mais e pessoas que ganham menos. E quem ganha mais normalmente estudou mais, se dedicou mais e agora tem mais retorno. Faço apenas uma observação ao seu texto: Ipatinga não tem a divisão que você diz existir, de negros e brancos… conheço muitos brancos no Bom Jardim e muitos negros no Cidade Nobre.

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    1. Eu ganho bem e sim, é porque eu estudei muito. Mas eu estudei porque tive oportunidade. Conheço gente que trabalha muito e é inteligentíssima, mas não tem condições pra pagar faculdade nem tempo para estudar e conseguir uma bolsa. Com esses cortes no FIES ficou ainda mais difícil.

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  2. Miséria de alma gera miséria humana. O mundo sempre foi carregado nas costas por alguns poucos e bons. Se entre milhões de espermatozóides somente um se desenvolve, por que na vida seria diferente? Mas para essa geraçãozinha de pensamento pasteurizado pelas redes sociais, é mais fácil colocar a posição de vítima num pedestal e ficar de mimimi do que erguer a cabeça enxergar o mundo como ele realmente é. Eufemismos e rótulos não mudam a condição humana, atitude sim. Mais fácil salvar o planeta que arrumar o próprio quarto.

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