“Li numa revista que um terço dos jovens se relaciona com pessoas do mesmo sexo. Eu acho muito um terço, mesmo sem saber se a opção deles é real. Eles experimentam”, disse ela. “Acho que o jovem é muito imaturo para saber o que quer. A gente tem que firmar que homem é homem e mulher é mulher. Acho que não é legal ser superliberal. Acho que a gente tem que ensinar para o jovem de hoje que homem é homem e mulher é mulher. E se por acaso ele tiver alguma coisa dentro dele que fale diferente, aí tudo bem. O que está acontecendo é que estão falando que tudo é bonito e o jovem acaba experimentando coisas que pode vir a se arrepender depois. Eu não sou contra o homossexualismo [sic], mas sou contra falar que é normal. E outra, mulher com mulher não é tão legal assim. Não tem aquele brinquedo que a gente gosta bastante.”

Essa foi a resposta de Patrícia Abravanel a Silvio Santos, no programa transmitido no último domingo, 8 de maio, quando o apresentador disse que assistiu ao filme “Carol” e não gostou do romance entre as duas mulheres, e perguntou aos seus convidados o que eles pensam sobre a homossexualidade.

Esquecendo um pouco Silvio Santos, esse um homofóbico reconhecido há tempos, e sua pergunta sensacionalista e infeliz na mesma proporção, em que mundo Patrícia Abravanel vive?

Sua declaração não é opinião, e sim preconceito. Não só homofobia, e sim LGBTfobia como um todo, porque se ela pensa que os gays e lésbicas são “anormais”, imagina qual a sua definição para os trans e travestis. Patrícia é evangélica, daquelas que fantasiam e demonizam a vida de quem não segue a mesma cartilha de regras que elas. É um grupo de pessoas que acreditam que os gays vivem em uma suruba constante, ininterrupta. Taxam os gays de promíscuos, loucos, vagabundos e doentes.

Os LGBT’s da vida real estão muito ocupados com trabalho, estudos, saídas, séries, músicas, livros, filmes. Alguns sustentam família, outros são massacrados pela sua que não os aceita. Alguns estão dirigindo empresas, outros estão se prostituindo nas ruas escuras pois não encontram oportunidades, e ainda assim há quem os taxe de “gente que não quer trabalhar”, mas vender o corpo é o único jeito de conseguir dinheiro para muitos. Alguns viram a noite estudando para a prova do meio de semana, e outros não conseguem entrar na universidade.

Neste exato momento existe um gay indo até uma loja de eletrodomésticos trocar o liquidificador que estragou dentro da garantia; existe uma lésbica gravando um filme do Tele Cine para assistir mais tarde; existe uma travesti indo à prefeitura pegar uma nova guia de IPTU que venceu; existe um bissexual deixando currículo numa padaria e torcendo para conseguir o emprego; existe um trans organizando o velório da mãe; existem pessoas sendo mortas por elas serem quem são.

Os LGBT’s estão lutando, pois a vida é dura. Não é todo mundo que nasce filho de um milionário, mas nós que estamos na batalha também possuímos sonhos, por isso nos esforçamos tanto.

Neste mundo tão banal e vazio, o amor é que nos preenche. Ele é um reconforto em pleno campo de guerra. Para o LGBT, todo dia é uma cruzada. Homem amar outro homem, ou uma mulher amar outra mulher, é totalmente normal. Anormal é o preconceito, principalmente vindo de alguém religioso e que prega amar o próximo como a si mesmo.

Todos vivem uma vida normal, e o maior objetivo é ser feliz. Não há regras no nosso amor, principalmente aquelas pregadas por homens de terno que gritam em microfones. Estamos vivendo, sorrindo e sofrendo.

Patrícia, saia da igreja e veja o mundo. Vamos dar um volta.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

5 replies on “Patrícia, saia da igreja e veja o mundo

  1. ótimo texto e concordo, ela precisa ver o mundo, se informar e deixar de ser preconceituosa. Apenas não generalize. Sou evangélica e, assim como eu, inúmeros evangélicos abominam o comportamento que ela tem. Como sempre digo, meu Jesus é amor, não ódio.
    🙂

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