No último domingo 17, na votação do impeachment na Câmara, o deputado do PSOL Jean Wyllys, após votar “não”, cuspiu em direção ao deputado Jair Bolsonaro, do PSC. O episódio gerou revolta na direita que, sempre hipócrita, alegou que Wyllys, que prega tanto pelo respeito, “deveria antes respeitar”.

Não podemos comparar a reação do oprimido com a violência do opressor. Infelizmente, Jean Wyllys é o único gay assumido na Câmara, o que é o bastante para ser ironizado, desqualificado e humilhado sempre que vai fazer um pronunciamento. Na votação do impeachment, quando dava seu voto, era possível ouvir “bichinha”, “queima rosca”, entre outras, da boca do próprio Jair Bolsonaro, de seu filho e de outros imbecis que tragicamente foram eleitos por nós.

Jean Wyllys errou em cuspir em Jair Bolsonaro. Errou o alvo, que é mais parecido com um monstro do que com um ser humano. O cuspe foi a gota d’água que representa todos nós que lutamos contra qualquer tipo de discriminação.

Em 2011, Jair Bolsonaro participou de um programa de TV na qual respondeu perguntas feitas por diversas pessoas. Preta Gil, uma das entrevistadoras, perguntou ao deputado: “Se o seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?”. Bolsonaro respondeu: “O Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”.

Em 2013, manifestantes foram protestar contra Marco Feliciano no comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Bolsonaro entrou na briga e, sem nenhum pudor, disse: “Vocês querem queimar a rosca vão queimar, pô”. “Ah, meu filho é gay, que maravilha!”, ironizou, para em seguida disparar para um manifestante: “A ditadura que você gosta é outra, mas essa eu não posso te dar”.

No mesmo ano, Bolsonaro foi à tribuna da Câmara para criticar a Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci. A crítica logo deu lugar para seu discurso imbecil, onde disse que “Ela declara que continua a ter relações sexuais com homens e mulheres, ou seja, linguajar popular: sapatão”. “Ela me disse ‘não é porque tenho mais de 60 anos que não continuo fazendo sexo’ – mentira! Com aquela cara, nem com viagra na veia”.

Em 2014, no plenário da Câmara, Bolsonaro disse para Maria do Rosário que não a estuprava porque ela “não merece”. Logo após, em entrevista, Bolsonaro explicou a fala: “Ela não merece porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia. Não faz meu gênero. Jamais a estupraria”.

Jair Bolsonaro é homofóbico publicamente e se opõe aos direitos a aplicação de leis que garantam os direitos de pessoas LGBTs, como o casamento igualitário e a adoção de filhos por casais homossexuais, além da alteração no registro civil para transexuais.

O deputado já disse que usuários de maconha deveriam “apanhar” para que não passassem a “cheirar” (usar cocaína). Em entrevista dada ao programa CQC, Bolsonaro reiterou as afirmações anteriores. Questionado no programa sobre como reagiria caso se o filho fosse usuário de drogas, Bolsonaro disse: “Daria uma porrada nele, pode ter certeza disso”.

Bolsonaro é contra as cotas raciais. Em vários momentos se mostrou favorável à pena de morte, além de defender a redução da maioridade penal. Jair Bolsonaro defendeu, numa entrevista à revista IstoÉ, a utilização da tortura em casos de tráfico de droga e sequestro e a execução sumária em casos de crime premeditado. Ele justifica o uso da tortura pois “o objetivo é fazer o cara abrir a boca” e “ser arrebentado para abrir o bico”.

Na votação do impeachment, Jair Bolsonaro homenageou o torturador de Dilma na época da ditadura. “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, pelo Brasil acima de tudo e por Deus acima de tudo, o meu voto é sim”.

Por essas e outras, o cuspe de Jean Wyllys também é de todos nós que sabemos o que é a homofobia, racismo, misoginia e qualquer tipo de discriminação, preconceito e violência.

Jean, esse cuspe também é meu.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

28 replies on “Jean Wyllys e o cuspe de todos nós

    1. Por favor, faça um texto melhor com argumentos mais convincentes. Da para perceber o quanto o nivel do texto é baixo e cheio de demagogia. Infelismente, estamos cheio de pessoas assim, que possuem uma opinião -certa ou não – mas que com o pouco conhecimento que tem, tenta defender utilizando textos simplesmente fracos.

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  1. Se a pessoa chega a perguntar se cuspir em outra pessoa é correto eu já sei que é um imbecil. Nada, absolutamente nada nesse planeta justifica um ato tão repulsivo.
    Ainda mais vindo de um hipócrita como o Jean Wyllys.
    Deputadozinho imbecil, duas caras, intolerante e o pior de tudo gayzista.

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  2. Gente… por favor, parem de defender um ato tao covarde.
    Cuspir é o ultimo ato de uma pessoa que não tem mais argumentos.
    NUNCA, JAMAIS, EM HIPOTESE ALGUMA, defendam um ser que cospe na cara de outro, isso é nojento, despresivel e ridiculo.
    Quem critica o deputado Jair Bolsonaro por ter homenageado um “torturador” tambem nao tem o direito de defender o deputado Jean Wyllys, um erro nao justifica o outro.
    Somente um acéfalo é capaz de cuspir na cara de outra pessoa em pleno senado, e mais acéfalo ainda quem ainda defende.. lamentavel essa atitude e desprezivel tambem.

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  3. Cara, não me considero homofóbico, mas o que mais me incomoda no homossexualismo, são homossexuais como você que acham que todas as pessoas devem pensar igual a você. Aqui mesmo nos comentários isso fica bem claro, quando alguém defende o seu texto você fica babando, já quando alguém discorda dele, você tem uma piadinha decorada para a opinião do leitor. Na boa cara, se você gosta de transar com homens o problema é seu, mas eu educarei os meus filhos no sentido de que não vale a pena abrir mão do amor de todos os familiares (principalmente os pais), para fazer sexo com uma pessoa do mesmo sexo. Sexo é bom, mas não vale a pena abrir mão de uma vida social saudável, apenas por isso.

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  4. Sabe, o falecido deputado Clodovil Hernandez também era homossexual assumido e deve ter enfrentado muitas agruras durante sua vida pública e privada, mas não me lembro de ver seu nome envolvido em polêmicas tão mesquinhas.

    Sim, mesquinhas e de ambas as partes, porque também sou a favor da família e também dos direitos dos homossexuais, e nunca entendi que a importância de um tema estivesse em detrimento do outro.

    Ser a favor da família é defender valores que não são passados pela escola, e sim em casa, pelos nossos pais, avós e mais velhos em geral. Enquanto os direitos dos homossexuais, são direitos de todos os seres humanos, ficando o ativismo responsável por lutar para que esses direitos não deixem de serem respeitados por discriminação a orientação de um individuo ou de um grupo. Pelo menos deveria ser assim.

    No entanto alguns se auto intitulam defensores da família e seus porta vozes, e em nome dessa “família” querem ditar o que é normal, natural ou cristão. Mas os defensores LGBT’s não estão ficando muito longe disso também não, porque baseado em seus algozes, e se valendo deles para justificar seus atos, muitos querem ir além das garantias constitucionais, criando uma conduta social a qual esperam que toda a sociedade adote, em nome das escolhas deles.

    É nisso que o texto peca, tenta justificar o injustificável se valendo da postura contrária, como se eu pudesse combater fogo com fogo afim de extinguir um incêndio. Não Bolsonaro, você não é porta voz da minha familia, porque meu pai e minha mãe me ensinaram a respeitar todas as pessoas independente de idade, raça, credo ou orientação afetiva ou sexual. Não Jean, você não representa a minha causa, não porque eu não seja homossexual, mas porque de todos os homossexuais que conheci, entre chefes, parentes e amigos, nenhum cuspiu em mim afim de receber respeito ou afeição.

    Agora, não ignoro a intolerância e menos ainda posso concordar com ela, mas cabe a mim e a quantos mais tiverem a vontade de transformar, entender que não se combate “messias” e nem se ataca a fé, quem quer mudanças conquista os seguidores.

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      1. “Jean Wyllys cuspiu quando já não aguentava mais. Cuspiu por mim, e cuspe pra esse monstro chamado Bolsonaro não é nada.”

        Desumanizar o opositor, oponente ou inimigo é o primeiro passo para os acontecimentos mais aterradores registrados pela história. Vou citar só Hitler, Stalin, Che…. mas dava pra fazer uma lista bem maior.

        Quanto ao Clodovil, eu cheguei a ver alguma das declarações dadas por ele¹, as quais em seu texto você desmiuçou e algumas eu tive a impressão que ou o sentido ficou diferente ou nosso entendimento se encarregou de entender como preferiu. Quando ele disse que não tinha orgulho de ser homossexual, mas sim de ser quem ele era, foi em uma palestra para um grupo LGBT inclusive sendo vaiado por alguns dos presentes que se apressaram em julga-lo no momento em que não se sentiram abraçados pela declaração que ele tentava concluir. Sinceramente, naquele momento entendi ele dizer que o orgulho dele era o trabalho que ele teve para chegar até ali, e não o fato de ser homossexual e ter chegado ate ali. E mais uma vez insisto que estou sendo muito sincero quando digo, não entendi em nenhum momento que ele se envergonhasse de ser gay.

        Agora, não preciso gostar ou não de alguém para ouvir suas opiniões, entende-las e concordar ou não com as mesmas. Em especial a que ele fala sobre o casamento gay, por mais que seja um direito dele ter sua opinião, não concordei e nem é por ele ser gay e eu achar que ele tenha alguma obrigação em defender o que seria esperado dele, não concordei porque não vejo as coisas dessa maneira. Acho que família é a estrutura afetiva que nos une, e não um modelo a ser seguido.

        No mais, a suposta apatia à causa por parte de Clodovil, não legitima atos inconsequentes por parte de Jean, e menos ainda muda minha opinião de que o cuspe dele não me representa em nada no legislativo. Se isso ajudar a causa de alguma forma, sugiro que nas próximas eleições os adeptos elejam uma lhama².

        Fontes:

        ¹ https://www.youtube.com/watch?v=VUxzYcS2c6c
        ² https://www.youtube.com/watch?v=qm8Me_yJku4

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        1. Clodovil é de uma outra época, é outro pensamento. Jean Wyllys é atual. São coisas completamente diferentes, por isso não cabe comparação.
          Sobre desumanizar Bolsonaro, o texto fala o que eu penso. O que eu acho engraçado é que ele é sempre defendido. Sempre. Se cuspir é errado, qual é o certo? Ficar calado? Acredito que Jean já ficou calado muitas vezes. Eu também já me calei várias vezes, mas a gentileza não é transformadora, muito menos revolucionária.

          Curtido por 1 pessoa

          1. Sim, Bolsonaro é realmente defendido sim, e acho que esse fenômeno se deve ao fato dele ter ficado tanto tempo gritando loucuras sozinho, que em algum momento algumas pessoas olharam pra ele como um visionário, um homem que via as coisas de uma forma diferente (eu disse diferente e não correta).

            O problema é que de la pra cá, sempre que ele é atacado verbalmente, imediatamente surgem blogs, canais do youtube, clérigos, senhoras recatadas e até minha vó para defende-lo, porque pra essas pessoas, ele esta sendo atacado por falar o que pensa, por ser minoria, já que muitos pensam igual a ele não tendo desapego social, coragem e imunidade parlamentar para fazer e falar o que ele fala fazem dele um porta voz. Assim cresce o “mito”, alimentado por pessoas que o aplaudem e repetem tudo o que ele fala, mas principalmente por quem o ataca, que acabam sem querer, endossando os discursos de intolerância que ele profere.

            Agora foi uma agressão física, sim eu sei, foi só cuspe, e nem pegou nele, mas não é esse o caso. O fato é que pra Bolsonaro e sua legião de defensores, esse ato justificará retaliações.

            A gentileza pode não ser transformadora, mas a educação é. E não se trata de ficar calado, e sim de disseminar informações, compartilhar a educação, e principalmente sermos melhores do que aqueles que tentam nos subjugar.

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    1. Leonardo até que enfim li um comentário que presta, você foi realmente imparcial, diferente do autor do texto, não concordo com o Bolsonaro para mim ele e louco, mas também não concordo com Jean que para mim e heterofobico, são os dois extremos cada um de nossa sociedade, mas isso não da direito de agressão de nenhuma parte deles, o problema realmente e que muitos querem defender fatos que ambos praticam, justificando que o outro lado fez pior.
      Realmente fico feliz de encontrar alguém que perceba que a solução e o dialogo de todas as partes e não essas baboseiras!

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  5. A votação foi toda errada desde o começo, mas Jair Bolsonaro sempre é o mais idiota. Mereceu e muito o cuspe. Por tudo, mas naquele momento por HOMENAGEAR um TORTURADOR. Me pergunto por que esse cara ainda não foi preso. Ele é um MONSTRO.

    Curtido por 3 pessoas

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