Muitas pessoas riem e debocham quando uma pesquisa constata que os eleitores de um partido A têm mais escolaridade que os eleitores de um partido B. De fato, todos esperam que alguém que curse ensino superior tenha mais sabedoria que alguém que estudou até o ensino médio. Mas é isso que acontece? Nem sempre. A ignorância está enraizada até nas universidades.

Eu estudo numa universidade particular onde grande parte dos alunos são considerados ricos se comparado à média brasileira. Sou bolsista, estudei a vida inteira em escola pública e graças à minha nota do ENEM eu fui capaz de conseguir ProUni. Assim como em todas as turmas, mantemos um grupo no WhatsApp na qual trocamos informações, tiramos nossas dúvidas, etc. Devido ao cenário atual do Brasil, às vezes o assunto vai parar na área política, o que não é nada ruim já que somos universitários e devemos, sim, discutir sobre isso, mas muitas vezes não dá.

As pessoas ricas não convivem com as pobres. No máximo, a empregada que trabalha em suas casas, ou seus subordinados no trabalho. Os pobres estão fora do círculo dos ricos, isso é fato que explica, mas não justifica, a falta de empatia total.

Não gosto de brigas, não está no meu DNA, mas quando se ouve coisas absurdas, é necessário reagir. A gentileza não é transformadora, e muitas vezes é um retrocesso. Então ouvir alguém dizendo absurdos sobre programas como o Bolsa Família ou o FIES e não falar nada, é compactuar com o egoísmo burguês ou de quem acha que faz parte da burguesia.

Receber o bolsa família não é privilégio. Muito pelo contrário, quem não precisa de bolsa família é que deve se considerar um privilegiado. Existem pessoas pobres que precisam de ajuda. Não é por não trabalharem. Pessoas trabalham muito mais e recebem muito menos que outras. Mas para quem nunca teve que acordar às 5 horas para trabalhar, receber 100 reais do governo, dinheiro que só dá para o arroz e feijão, é uma regalia.

Sei que o ódio de classe soa meio fantasioso, mas ele, infelizmente, existe. Pessoas que estudam comigo não conseguem aceitar que estudaram todo o ensino fundamental e médio em escolas particulares e que vão receber o mesmo diploma que eu que vim de escola pública. Essas pessoas existem, e até babam de raiva quando eu falo isso, com a maior tranquilidade, na cara delas.

No grupo do WhatsApp, quando o boçal soltou suas fezes oriundas de seu intestino cerebral, não pude me conter. Eu sou um dos administradores do grupo e o exclui prontamente. O resultado? Ele foi defendido por uma galera que disse que eu não consigo aceitar opiniões diferentes da minha.

Existe uma diferença entre opinião e preconceito. Falar que o lugar de mulher é na cozinha, que o de negro é na senzala e que o de um pobre é em qualquer ambiente que não seja o mesmo que o dos ricos, não é opinião. É o mais alto preconceito, e só é pior se for seguido de violência.

E o que aconteceu no grupo do WhatsApp é o retrato do que acontece na vida real. O homem que falou todas as asneiras possíveis é branco e hétero. Alguém assim sempre será defendido onde quer que seja. O sistema faz isso, mas quando alguém que não atende à cartilha de requisitos impostos pela sociedade se mostra presente proporciona uma surpresa não muito agradável para quem é acostumado desde sempre a ter sua voz mais alta.

Não se cale diante do opressor. Reaja, fale alto. Eles têm medo da nossa ascensão. A gente é foda e eles já perceberam isso, só não conseguem aceitar. Mas vão ter que nos engolir à força, porque esse é só o começo. Vai ser tudo nosso.

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Centro Universitário do Leste de Minas Gerais – UNILESTE MG.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

2 replies on “A ignorância no ensino superior

  1. Achei anti democratico excluir o cara do grupo porque a opiniao dele difere da sua, não interessa o quanto absurda seja a opinião dele.
    O que você fez foi abuso de poder, e mesmo que o cara tenha opinioes escrotas ele tem direito a ter acesso ao material da turma, e você foi escroto e intolerante em excluir o cara.
    E outra coisa, seu texto não fala realmente do assunto da ignorancia de quem está no ensino superior com uma base fundamentada, atraves de pequisas dados e etc, mas sim na sua raivinha de sua discussão com um fulano que não significa nada pra ninguém.

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