Em 2013 Aloizio Mercadante, então ministro da Educação, disse que “Precisamos de mais engenheiros”. No mesmo ano, jornais e revistas anunciavam incessantemente que o Brasil vivia uma escassez de profissionais das engenharias e com isso os cursos atraíram mais alunos. Resultado: o número de formandos cresceu cerca de 60%.

O mercado de trabalho que não era tão escasso de engenheiros assim, transbordou. E ainda assim continuam anunciando que faltam profissionais de engenharia, e enquanto isso o Brasil é o país da engenharia lá fora.

Para nós que cursamos engenharia, o atual cenário no Brasil é um breu. Eu tenho medo de me formar e não conseguir emprego. Foi-se o tempo em que ter diploma de ensino superior significava ter trabalho bom. Para que haja emprego para engenheiros civis, é necessário um investimento. O governo precisa investir em obras públicas; no setor privado, alguém precisa querer construir um prédio, uma casa, um banheiro, etc. Construir/investir é caro, e quem hoje está disposto (ou tem dinheiro) a fazer isso?

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o saldo de postos de trabalho passou de 7 mil em 2012 para 2,8 mil em 2013. Em 2014 a conta ficou negativa, com perda de 3,1 mil postos de trabalho na engenharia.

Com o excesso de engenheiros e a redução de postos de trabalho, os salários de antigamente hoje são tidos como utópicos. Dificilmente um jovem engenheiro ganhará um salário inicial acima de R$ 2.500,00. Isso na melhor das hipóteses, e se você rejeitar um salário por considerá-lo baixo, existem milhares de outros engenheiros se cotovelando pela vaga que você rejeitou.

A saída é ser autônomo e sair do trabalho formal, uma conquista recente. Muitos também abrem o seu próprio negócio mas sempre com um futuro incerto e uma instabilidade financeira. Mas as pessoas se viram, ou ficam em casa esperando as contas chegarem.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

4 replies on “A engenharia transborda

  1. Não é só no Brasil que aconteceu um “big bang” de engenheiros. Em Portugal aconteceu o mesmo engenheiros / arquitetos / advogados… tudo quer um curso superior, depois não há lugar para todos e recorre-se à exportação de pessoal com curso. O problema depois é arranjar pessoal para trabalhar fora dos escritórios…

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