Lembro quando fui assistir a “Minha Mãe É Uma Peça” com um pé atrás. Não gosto de filmes de comédia e me frustra muito que a maioria dos filmes brasileiros que chegam até nós são desse gênero. Mas depois de tanto se falar do filme do Paulo Gustavo, fui assistir ao filme, em casa mesmo, comendo pipoca estourada na panela e bebendo guaraná.

Achei genial. Um humor diferente daqueles presentes nos outros filmes. Identifiquei minha mãe na Dona Hermínia, pois é algo cotidiano que vivemos mas só vendo de fora nos faz rir. Adorei principalmente o Paulo Gustavo, achei-o ótimo e mesmo que ainda exista a ideia de que gay é só para fazerem os héteros rirem, me simpatizei por ele.

Com o sucesso de bilheteria, rapidamente Paulo Gustavo virou notícia em todos os sites. Nisso, minha admiração por seu trabalho entrou em contraste com a decepção que senti pelo seu pessoal. Em uma entrevista para o Jornal O Dia, o humorista não disse que era gay e também não disse que era hétero, disse que levantar bandeira é que gera preconceito. E não livrou a Parada LGBT da resposta, falando que é contra e que a mesma perdeu o propósito e virou um carnaval, e se não existe Parada Hétero, não tem porquê existir Parada LGBT.

Paulo Gustavo se casou recentemente, e olha que irônico: alguém, algum dia, precisou levantar uma bandeira para que ele e seu companheiro pudessem ter esse direito agora. E em qual mundo lutar, resistir ao preconceito e a intolerância gera mais preconceito? Não há revolução se o oprimido se acomodar com a opressão que sofre todos os dias.

E a Parada LGBT virou carnaval? E daí se for também uma festa? É uma data no ano onde os LGBTs se quiserem dar pinta, podem; se querem sair fantasiados, podem; se querem beijar na boca, podem também. Qual é o problema de ter uma festa por ano para ir às ruas e se mostrar?

Parada Hétero? Acho que nem precisava dizer por que isso não existe, já que os héteros têm todos os dias do ano para fazerem o que querem. Não existe Parada Hétero assim como não existe Dia da Consciência Branca e Dia Internacional do Homem. Basta ter um mínimo de inteligência para saber que o mundo é comandado por homens, héteros e brancos.

Paulo Gustavo não quer falar de gay, a não ser que isso lhe renda dinheiro. Se apropria de uma cultura que o próprio renega. Um desperdício. Tinha tudo para ser uma voz importante na luta pelos direitos LGBTs, ajudando aqueles que são mais vulneráveis, mas ao invés disso, optou por ser um desserviço.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

22 replies on “Paulo Gustavo, um desperdício

  1. 2ª vez que caio no seu blog trazido pelo ocioso e pela 2ª vez fico impressionado com a capacidade de escrever bobagem que vc tem .. tipo quando alguem não concorda ou age da maneira que vc julga correta vc cai de pau em cima … sabe só uma dica mais imparcialidade na maneira de escrever o Paulo Gustavo eu acredito que agiu da forma correta a parada era algo louvavel mas perdeu seu proposito sim assim como um negro que entra numa universidade sem precisar de cota, pobres que não se penduram em programas sociais

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  2. Depois de ler o texto, reparei como uma pessoa íntegra e verdadeira consegue incomodar os que gostam de se encostar e se aproveitar da marola, surfando numa onda que não é sua. Parabéns Paulo Gustavo por não levantar bandeira nenhuma e não ficar de coitadismo se aproveitando para esfregar na cara dos outros sua realidade. Te respeito como profissional e não pela sua opção sexual, que só diz respeito à você.

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  3. Concordo com a Ana Paula, o Silas e o Newton.
    Ele não renega o que é, ele tem o direito de ter o ponto de vista dele em que levantar bandeira gera preconceito… Sou gay, minha família sabe, meus amigos sabem, meu chefe sabe e nunca levantei bandeira, pq eu sou um ser humano, um filho, um amigo, irmão, profissional… o que eu faço entre 4 paredes é problema meu. Defendo as minorias, a desigualdade, e sou conta o preconceito, mas não vai ser esfregando pessoas seminuas na cara que vai mudar alguma coisa, hoje temos mais direitos sim, que foram conquistadas com atos e pessoas sérias, não em uma festa de carnaval.
    A Parada é só um carnaval, onde os gays vão para putaria. Um carnaval… Se é pra defender direitos, as pessoas precisam mostrar que são direitas, que são medicas, policias, professores. Postura e respeito para sermos respeitados. Agressão só ira gerar mais agressão. Bora fazer uma parada e um Carnaval gay separados?!?!?!

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    1. Jean, é como eu disse no texto e não vou repetir na íntegra. A Parada LGBT é um carnaval? As pessoas vão para beijar na boca? Elas vão nuas? Fantasiadas? E daí? É um dia no ano onde os LGBT’s podem se mostrar do jeito que bem entendem. Os héteros têm o ANO INTEIRO, e se incomodam por nós termos um.

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      1. Não concordo, vc mesmo fala em direitos. A parada perdeu o propósito. Virou apenas um carnaval. Não precisamos só de direitos impostos, precisamos de respeito. E para termos respeito precisamos nos dar ao respeito. Não sou contra uma festa gls, mas não concordo em dizerem que estão defendendo direitos quando não estão. A parada pode e deve ser alegre, pois somos assim, mas precisa mostrar pra a sociedade que somos normais e não aberrações, para isto existe o carnaval, façamos um nosso… mas que a parada possa ser uma “festa” para os pais, os avós, as crianças. Eu sinto vergonha do que as paradas se tornaram. A sociedade é tão hipócrita e foi no que se transformou a “defesa de direitos” gls.
        Como eu disse, façamos uma parada, séria e respeitável e uma festa/carnaval como queiram chamar, mas sem misturar as coisas.
        É lindo ver um casal heterossexual ou gay de mãos dadas, trocando carinhos, mas é chato ver um casal heterossexual ou gay se comendo, trocando carícias no meio da rua.

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  4. Paulo Gustavo perdeu minha admiração quando disse que prefere o armário. Isso porque ele é branco, bonito, rico. Pergunte a um pobre e negro a dor que é se privar de ser o que é.

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  5. Fiquei muito triste lendo algumas coisas que o Paulo Gustavo disse. Ele, com sua influência, poderia ajudar todos nós pela luta de nossos direitos. Viver é tomar partido, ficar indiferente é vegetar.

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  6. Na boa: dizer que ser homossexual é somente uma cultura, a qual se pode aderir ou renegar, é corroborar com a ideia de Marcos Feliciano de que a cura gay é possível. O fato é que cada ser humano possui sua individualidade e seu direito de expressão. Sou hétero e nem por isso sairei pegando todas as mulheres do mundo, nem tenho necessidade de me reafirmar através de manifestações públicas. Respeito os LGBTS e suas manifestações, todavia acredito que nem todos os membros dessa “classe” são obrigados a “levantar bandeiras”. Cada qual vive seu mundo da sua forma. Nem todos irão trilhar por padrões pré-ordenados.

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  7. Ler esse texto me fez o admirar ainda mais, puta ator, puta comediante e ser racional me fez o admirar muito mais. Parabéns e que ele e outros gays, negros, pobres,índios ou qualquer outra ‘minoria’ no lugar de escolher uma bandeira pra balançar mostre seu papel como boa pessoa e bom profissional. Parabéns Paulo Gustavo.

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