Essa semana, mais precisamente quinta-feira, 10 de dezembro, completei 21 anos. Fazendo um retrospecto, minha atual situação espiritual entra em contraste com o que eu era cinco, seis anos atrás.

Eu era doente. Um adolescente inteligentíssimo e de uma sensibilidade exuberante, porém triste. Melancólico mais do que o normal, me fechava do mundo e me remoía por dentro procurando algum sentido para a vida, muito chata até então.

Chorava bastante, com a esperança do futuro ser mais interessante que o presente.

Não conseguia enxergar nada de belo, tudo ao meu redor beirava ao ridículo e dispensável. Minha mãe, meu pai e meu irmãos. A única coisa que eu sentia por eles era indiferença. Eu era infeliz e não via uma luz no fim do túnel; e sim um corredor se atrofiando em direção ao breu.

Pensava muito sobre a morte. Como é, para onde vamos. Para quem é infeliz, a morte é como um ponto final para a angústia. Às vezes fala-se que quem quer morrer se atira de um prédio ou se suicida com uma faca; mas se a morte é o fim da dor, morrer sofrendo é burrice.

Meu primeiro beijo com uma pessoa que eu realmente gostava foi aos 17 anos. Quando cheguei em casa, vomitei.

Deus cria prazeres e depois os torna pecados. Eu era incapaz de romper qualquer barreira.

O único prazer que tinha era de desfrutar da arte que tinha acesso e também regar uma plantinha que tínhamos no terraço e colocar ração para o meu gato.

Hoje, já crescido e com mais experiência de vida, sei o que me faltava: amor.

A vida só faz sentido se amarmos e formos amados. Eu era frustrado porque não me sentia amado e nem capaz de amar.

Não me sentia útil aos que me cercavam. Eu não podia fazer nada que acrescentasse à vida de qualquer pessoa. A sensação que eu sentia ao regar uma planta ou ao dar comida ao gato era de que eu lhes era útil.

Na quinta-feira, no dia do meu aniversário, eu mais do que nunca me senti amado e presente na vida de várias pessoas que eu admiro e quero o bem sempre. A amizade é uma escolha, e escolher pessoas maravilhosas e elas te escolherem de volta é mais do que um milagre. A vida é um filme que deve ser visto em grupo, com baldes de pipoca e litros de refrigerante.

Morri e vivi novamente. Fui de um velório com marcha fúnebre a uma festa com fogos de artifício e banda militar. É como se o corredor que estava se atrofiando se tornasse uma alameda com passarinhos cantando nas árvores.

Ainda continuo um tanto melancólico, mas como uma característica, e não uma doença. Estou rodeado de pessoas mais do que admiráveis. Amar é uma escolha, e eu escolhi amar muita gente.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

4 replies on “21 anos

  1. Adorei seu texto, você está de parabéns. Eu também passei por uma fase dificil na adolescencia, com medo do futuro, eu acho. Acredito que muitas pessoas passam por isso e você retratou essa dor de forma magnífica. Beijos.

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  2. Parabéns! Ótimo texto. Me identifico. Estou nessa fase de transição, eu acho. Mudando de uma fase para outra, mudando de comportamento. Muitos questionamentos… Estava doente, assim como você e tantos outros jovens por aí. Me sentia dormente a maior parte do tempo.
    Encontrei o que eu estava procurando em mim mesmo. É uma transição DIFÍCIL mas você resumiu bem isso no texto.

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