Sinto a necessidade de começar este texto expressando minha total empatia pelo movimento feminista, não por eu ser especial, mas porque qualquer pessoa inteligente sabe, ou acha que sabe, o quanto é importante mulheres lutarem por seus direitos. Mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço na sociedade, mas o homem ainda continua no passado achando que essas ainda devem ser submissas a ele.

Sou homem, sei que o sistema faz com que eu seja privilegiado e conivente com isso de forma involuntária. Todos os homens são opressores. O privilégio não existe de graça, e sempre que o grupo dominante ganha, o grupo dominado perde. Toda vez que um homem é privilegiado, ele tira uma oportunidade de uma mulher. A maioria dos homens não se dá conta disso e simplesmente não estão nem aí, e nós, homens que pelo menos identificamos isso, também não podemos fazer nada. É um sistema muito maior que qualquer indivíduo.

O feminismo cresceu muito na Internet, o porém é que na web muitas pessoas querem simplesmente atacar. Elas não querem conversar sobre qualquer assunto que seja. O objetivo é ofender, fazer piada, ironia, e levar o assunto, até então sério, para o campo da futilidade.

Em um tweet que postei no domingo, falei que ficava confuso com todas as feministas do Twitter falando sobre os homens de forma em geral e que eu não me considerava tão ruim assim. Não falei para provocar nada, apenas o que senti, que é “confuso”. Minutos após a publicação, recebi várias mensagens que não foram xingamentos, mas ofensivas de certa forma, falando tudo aquilo que eu já sei e escrevi no segundo parágrafo desse texto. Muito provavelmente acreditaram que eu fosse aquele cara machista que não se considera machista. Depois que viram que não, ainda assim vieram contra e perguntaram se eu queria um prêmio simplesmente por respeitar mulher.

Eu tento respeitar a todos porque acho mais fácil do que ser grosseiro. Não importa o gênero, idade, sexualidade, mapa astral, onde mora. Seria absurdo se eu, que já fui tão desrespeitado por ser simplesmente eu, reproduzisse o que sofri, mesmo que de formas diferentes se comparado às mulheres.

O que mais foi dito é que eu não sou diferente dos outros homens e que todos são, sim, iguais. Não foi dito dessa forma, quem dera. Foi pra ofender mesmo. Também disseram que sou arrogante por me achar diferente simplesmente por ter mais informação sobre o machismo, opressão, feminismo, entre outros.

Fiquei sem saída trocando mensagens com pessoas que pareciam me considerar um assassino. Acredito que a informação pode mudar o mundo, então não acho justo me colocar no mesmo saco que homem que estupra, bate em mulher, chama de “puta” simplesmente por ela transar com quem quer, compartilhar fotos íntimas com os amigos.

Entendo, ou pelo menos acho que entendo, o que as feministas querem. Mas eu, que não sou chefe para contratar mulheres, tenho minha influência restringida a meu grupo de amigos, e não detenho de poder algum para mudar esse quadro, me sinto de mãos atadas. Eu sequer posso andar de mãos dadas com quem eu gosto em lugares públicos, e numa seletiva para vaga de emprego, não sei quem será mais prejudicado: se eu por minha condição sexual, ou a feminista por simplesmente ser mulher.

Eu sou homem, não sei o que é o machismo e entendo que o movimento feminista não me pertence. Não sou eu quem tem que dizer como ele deve ser. Mas se eu fosse realmente um homem machista dos mais tradicionais e presentes em todas as regiões do Brasil, as mensagens que me mandaram fariam alguma diferença? Acredito que não. Tratar todos os homens como estupradores não me soa correto, assim como não trato todos os héteros como homofóbicos. Todos são opressores, muitas vezes por causa do sistema, mas sem o debate de nada adianta.

A conscientização vem do debate, da conversa, da informação. Nenhuma feminista é obrigada a explicar qualquer coisa aos homens, elas têm coisas mais importantes para fazer, como empoderar outras mulheres, mas ser um pouco didático é mais inteligente que brigar em caixa alta.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

6 replies on “Eu, homem opressor, e o feminismo

  1. Desculpe, não li tudo, mas gostaria de lembrar que a luta pela igualdade de direitos está diretamente relacionado com a coerência do estado de bem estar social que é promover economia através da qualidade de vida. Se bem estuda, se bem se alimenta se produz e consome melhor. O direito das mulheres está em equalizar as diferenças do seu poder-viver econômico.

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        1. “Nós homens é que deveríamos nos unir”
          E ainda dizem que o feminismo luta por direitos iguais. Que piada!
          Não por acaso o anti-feminismo já é mais popular que o próprio.

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