Desenvolvi o hábito da leitura e minha paixão por livros desde cedo. Não fui influenciado por ninguém, seja pelo meu pai, minha mãe, tios, etc. Minhas professoras até que tentavam incentivar a turma, mas eram tantos alunos, tanto desinteresse e tão pouco tempo, que as mesmas deixavam pra lá. Me interessei pela leitura porque tinha fome em aprender, em conhecer coisas que só os livros me proporcionaram.

Foi na biblioteca municipal onde eu li o primeiro livro que amei. “Pollyanna”, de Eleanor H. Porter, nunca esquecerei. No livro, Pollyanna esperava ganhar uma boneca de aniversário, mas seu pai não tinha dinheiro para tal, então a deu um par de muletas. Pollyanna ficou triste com o presente que acabara de ganhar, então seu pai a ensinou o ‘jogo do contente’, uma forma de ver as coisas pelo lado positivo. O pai disse que ela deveria ficar feliz por não precisar usar as muletas. Desde então, Pollyanna enxerga a vida com uma visão otimista. Aos 11, quando fica órfã, vai morar em outra cidade com sua tia rica e esnobe. Pollyanna consegue transformar a vida de todos a sua volta, trazendo alegria e otimismo.

São vários os livros que marcaram minha vida. “O Clube do Filme”, “A elegância do Ouriço”, “O Sol é para Todos”, muito provavelmente meu livro favorito. Todos eles me ajudaram a ser quem eu sou hoje e carrego um aprendizado de cada um deles.

Não consigo entender pessoas que falam que não gostam de ler com a maior naturalidade. E mais chocante ainda são as pessoas ouvirem essa fala e não se mostrarem surpresas. Seria lindo um mundo onde a frase “não gosto de ler” chocasse tanto quanto “eu não bebo”.

Quando leio um livro eu consigo me transportar completamente para a história. É um momento onde eu esqueço de mim, dos meus problemas. É tão chato ser a gente o tempo todo. A literatura é minha droga. Muitas vezes eu sonho com os personagens do livro que estou lendo. Eu me emociono, me apaixono, me choco. Inclusive meus olhos já lacrimejaram várias vezes lendo um bom livro. Há relatos de pessoas que dizem ter encontrado Deus. Eu encontro Deus quando estou lendo um livro que amo.

Quando leio um livro eu reflito sobre emoções que eu já senti, estou sentindo ou sentirei algum dia. Pratico minha empatia, sentimento que desenvolvi muito pelas obras que li. E isso tudo me acalma de uma certa forma que eu não conseguiria obter por outro meio exceto a literatura.

Quando leio um livro eu conheço o mundo sem sair da minha aldeia. Alemanha, Estados Unidos, Argentina, França, Itália. Já estive em todos sem nem nunca ter pisado para fora do Brasil.

Quando leio um livro eu aumento minhas percepções e sentidos para além do racional. Porque Jorge Amado pra mim tem cheiro de bobó, e Drummond, de frango com quiabo. E Machado de Assis, de genialidade.

Quando leio um livro eu percebo como o mal e o bem andam juntos e a canalhice de se atribuir todo o terror à um ser fantasioso. Em uma carta enviada de Berna, Clarice Lispector escreveu para Fernando Sabino que “falta demônio nessa cidade”, com a intenção de demonstrar a falta de personalidade daquele lugar. Se falta demônio em Berna, em “A Casa dos Budas Ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro, o diabo se mostra completamente nu.

Quando leio um livro eu me isolo e me conheço. Você tem que estar certo de quem você é para não se abalar com os obstáculos da vida. Me aceitei graças aos livros que li. Sem eles eu ainda estaria um velho. “É preciso muito tempo para tornar-se jovem”, como diria Picasso. Eu quero me tornar cada vez mais bobo.

A única coisa que me frustra nos livros é que eu não vou ler todos aqueles que tenho vontade, mas o livro “Feliz por Nada” da Matha Medeiros está me ajudando a aceitar essa ideia. Mesmo assim, vou ler aqueles que conseguir e extrair de cada um deles algum ensinamento que, tenho certeza, levarei para vida inteira. Talvez até depois dela. Livros são uma das poucas coisas que você leva para onde quer que seja depois de morrer.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

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