Assisti a uma reportagem sobre o sistema prisional da Suécia. Lá, cada cela tem apenas um detento, e a mesma é como se fosse um quarto normal. Os detentos estudam de manhã e trabalham a tarde. Não há escolha, eles estudam e trabalham. O dinheiro do trabalho vai uma parte para a própria prisão e a outra para o detento. Neste sistema, a dignidade de quem teve sua liberdade privada é mantida e o principal objetivo é recuperar o infrator para que, depois de cumprir sua pena, não volte a cometer delitos. Com isso, a população carcerária da Suécia está diminuindo consideravelmente e prisões estão fechando e dando lugar a hotéis. Seguindo o caminho contrário, a população carcerária brasileira quadruplicou em apenas 20 anos.

O brasileiro tem uma visão errada sobre a cadeia. Para a maioria, a cadeia é apenas para punir, ou fazer sofrer aquele que cometeu algum delito. É o “bandido bom é bandido morto”.

O sentimento é de que quanto maior o número de presos, maior é nossa segurança. Acontece que isso é uma ilusão. Peço que antes que falem que estou defendendo bandido, parem para pensar e analisar um pouco. São 500 mil pessoas presas no Brasil. Ou seja, são 500 mil pessoas vivendo como bichos, em ambientes insalubres e dividindo cela com um número de pessoas bem maior que o ideal. São 500 mil pessoas presas na qual metade não foi julgada culpada e nem tem acesso ao seus papéis. São 500 mil pessoas em que a maioria é negra, de origem pobre e não teve muitas oportunidades na vida. É uma população que ninguém quer ver ou fazer alguma coisa.

É um grupo enorme de pessoas que incomoda, que causa desconforto até para quem vê pela televisão. Para a maioria das pessoas, o ideal seria que todas os presos fossem mortos, fazendo uma limpa. Se a população carcerária está crescendo, vamos construir mais cadeias, elas pensam.

Uma pessoa que comete um crime, é presa e vive em uma cela como animal, vai sair de lá como? Nós queremos justiça ou vingança?

Esse sistema de punição, do castigo, é algo que vários países já superaram. Mas no Brasil, o político não está preocupado em melhorar o país, e sim preocupado com o voto. Um político que fala que vai mudar o sistema prisional e trazer mais dignidade para quem está preso, é tido como defensor de bandido. Os políticos somos nós.

O Brasil prende desenfreadamente. Nós temos uma polícia autoritária, racista e higienista. Metade dos presos no país não foi a julgamento.

A solução para o problema da segurança é superar o sistema do castigo. Penas alternativas são uma boa saída num país onde o cara que roubou uma manteiga divide cela com um psicopata que matou a própria família. É preciso manter a dignidade até de quem está preso por um crime. Novamente, não estou defendendo bandido. Eu estou querendo que esse ciclo vicioso de liberdade-crime-cadeia acabe.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

16 replies on “Para que servem as cadeias?

  1. Seu belo texto expõe um ponto de vista elevado, que infelizmente poucos em nosso país tem a capacidade de enxergar. Há em cada pessoa um valor inestimável, maior do que os atos dela. Cada pessoa merece ser tratada dignamente, independente de seus atos, e mesmo que mereça ser punida, deve haver dignidade nessa punição. O que a sociedade vingativa – e ignorante nesse ponto – não vê é que um prisioneiro mal tratado, espancado, humilhado, sairá da prisão mais revoltado e mais violento e despejará sobre todos nós a crueldade e selvageria que recebeu na prisão. Em muitos anos de militância nessa área já vi pessoas que defendiam a violência policial e a crueldade contra os presos mudarem repentinamente de visão quando um filho ou parente próximo foi preso e espancado. Em nossa sociedade egoísta só queremos o bem pra nós, e que todos os demais “se explodam”… enquanto esse pensamento predominar seremos todos reféns da violência. O fogo se apaga com água, o frio se combate com o calor, por que a violência seria destruída com mais violência?

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  2. me desculpe mas……. não concordo com desculpismo….. faz porcaria, pratica crimes… sabe onde vai parar… como disse o Bolsonaro : “querem oque ?…um hotel 5 estrelas? tem gente que trabalha e é tratado pior que estes caras”
    é uma escolha…. o bom ou o mau caminho… simples assim.

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  3. Esse papinho de recuperar, reintegrar o preso é conversa prá boi dormir, coloquem na cabeça de uma vez por todas que a enorme maioria dos “reeducandos (eufemismo para bandido encarcerado) simplesmente não tem recuperação ! Ou vocês filhinhos-de-papai metidos a comunistas/socialistas acham que um sujeito com vários latrocínios, estupros, tráfico etc nas costas tem recuperação ? Vejam os índices de reincidência, babacas…Se nas cadeias existe a predominância de determinado grupo étnico/social é porque são estes que cometem a grande maioria dos crimes violentos. Talvez fosse desumano exterminá-los, mas que seria uma belíssima limpeza com enorme redução da criminalidade, isso seria! No episódio do Carandiru ouvi inúmeras pessoas afirmando que isso deveria ser feito pelo menos uma vez por mês. Para finalizar uma frase do magnífico Bolsonaro a respeito do presídio de Pedrinhas mas que serve para todos os outros: “Não roube, não mate, não estupre, não trafique que você não vai parar lá, PORRA!!!”

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    1. Rapaz… Isso que é discurso umbigista! Sem empatia total. A maioria dos criminosos reincidentes não tiveram o devido tratamento, se o cara nasceu em um ambiente de pobreza, a configuração mental dele será totalmente diferente, será a de raiva, a de sobrevivência, a de desespero, dependerá do caso e do meio. Ou seja, a única coisa que o sistema carcerário vigente faz é agravar os danos psicológicos do ambiente desprovido de estímulos produtivos. Prender os bandidos por ódio e vingança, sem lhe oferecer uma devida recuperação, é medida tapa buraco, a qual tem por interesse defender os ideias da classe rica e média. Ou seja, é criminalizar o pobre, e deixar a configuração por classes como está. O bandidinho rico que queima mendigo, com certeza, conseguirá sua reinserção social, porque tem papai rico que garanta isso. Enquanto o jovem pobre e negro se manterá na preferia, porque, ao sair da cadeia, não terá aprendido nada, além do que já vivenciou antes de entrar lá. É meio utópico querer que a população pobre tenha capacidade clara de julgamento como de quem teve uma educação decente (e esta, aliás, é elitizada).
      Além disso, isso não resolverá a raiz do problema, que é a falta de investimento de QUALIDADE em setores básicos do país (educação, infraestrutura, saúde, saneamento, etc). Isso, aliás, tirará o peso da obrigação estatal em cuidar devidamente da população para que ela não se torne em criminosas. E você com essa mentalidade está fazendo um bom trabalho para ajudar a laia vingativa e para que políticos corruptos se mantenham no poder por meio de discurso populista.
      A nossa constituição foi elaborada por especialista, e não por “achismo” e senso comum, e, nela diz que se tem de garantir a oportunidade de recuperação do criminoso (obviamente, se ocorresse um crime de reincidência, mesmo com a devida recuperação, teria uma pena maior), o que falta, nesse país, é aplicabilidade da lei, e não de medidas vingativas de tapa buraco. Política não se faz com vingança ou ódio, pois isso altera no nosso julgamento.
      Para que a pessoa não roube, não mate, não estupre, ela precisa ser devidamente educada na infância, e na adolescência, ou como diria Pitágoras: “Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.”
      E como política não está só na mãos dos políticos, é dever do cidadão, que tenha condições psicológicas e que possua uma saber mais crítico e embasado, lutar para que haja justiça, lutar por questionamentos, e lutar por cobrança do devido desempenho estatal.

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  4. A sua cabeça precisa melhorar em relação a conceitos jovem! Esse texto falando em recuperar presos, preservar a dignidade de quem foi privado da liberdade…é bonitinho prá discurso de Petista prestes a morder o erário público sem dó!
    Vamos por partes! Como é que você quer preservar a dignidade de um marginal? Como preservar a dignidade de um latrocida, que atirou por exemplo friamente numa pessoa por que pensou que ela esboçou uma reação? Aquele médico que foi esfaqueado brutalmente na Lagoa Rodrigo de Freitas por exemplo, como seria preservar a dignidade dos assassinos dele? Que o mataram por causa de uma bicicleta?
    Agora vamos falar de recuperar o criminoso. Entenda que uma pessoa doente ou criminosa só vai se “curar” dos seus males se quiser ser “curada”! Nem o melhor dos remédios cura uma pessoa que não quer ser curada! Do mesmo jeito, nem mandando o bandido brasileiro lá prá Suécia é garantia que ele vai se tornar um cidadão de bem, se ele não quiser isto!
    No Brasil vieram com este modismo de que cadeia deve promover a recuperação do criminoso. Besteira muita! Cadeia é como se diz uma instituição prisional em primeiríssimo lugar! Um lugar onde um criminoso condenada cumprirá uma pena de reclusão por privação de liberdade! Que liberdade é esta? Prá começar o direito de ir e vir para onde lhe aprouver! Lá ele só terá concessões em hora e data marcadas, de ir e vir aonde lhe for determinado e permitido! E isto ocorrerá por um determinado hiato de tempo especificado na sua condenação judicial! Previamente ele terá sido submetido a um ou mais julgamentos (Quando condenado a 16 anos ou mais automaticamente ele terá um novo julgamento!), e os prós e os contras para definir a sua responsabilidade no crime que cometeu será amplamente discutida, debatida e considerada por conjunto de pessoas que o farão estritamente dentro da lei! E que lei é esta? E a lei que regulamenta e institui regras para a convivência e preservação da vida em sociedade! A lei que foi votada na mais alta instituição legislativa do país! E que constantemente é vista e revista e aplicada com rigor!
    Voltando as prisões devemos ter consciência que uma vez condenado a cumprir a sua pena, o individuo deve fazê-lo com resignação! E uma vez privado da sua liberdade, usar os momentos dentro do presídio para reflexão e atividades saudáveis! E aí sim deve entrar o papel do estado! Aqueles que voluntariamente quiserem por exemplo estudar, dar a eles estas condições desde que em confinamento! Aprender uma profissão ; Idem!
    Ao mesmo tempo o elemento usará seus momentos de ociosidade para refletir sobre o que fez e o que espera no futuro. Usar a lembrança do encarceramento com instrumento inibidor de atos criminosos. É para isso que servem as prisões meu caro!

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    1. Caro André, antes de discordar de algo e oferecer comentários sem fundamentos, estude sobre como funciona o sistema prisional, não é uma “modinha” como você se referiu, em verdade, nosso sistema é progressivo e deveria funcionar sim corrigindo e não simplesmente punindo, leia, estude, pesquise, discutir sobre um assunto é bom, ouvir posições contrárias a nossas faz com que nossas mentes se abram sobre assuntos diversos, porém dar posição sem base e fundamentos com argumentos gerados por pessoas que não se dão nem ao trabalho de buscar informações sobre o assunto… essa sim é a modinha que esta acontecendo…

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  5. Embora não temos o melhor dos sistemas, não podemos dar mole para a bandidagem… tenha um ente querido morto ou estuprado por um vagabundo desses e depois saia defendendo ele…quero ver. Chega de dar moleza pra vagabundo. Não ter tido oportunidade agora é desculpa para sair matando e roubando? Você é quem cria suas oportunidades; mas no brasil é mais fácil viver na malandragem, infelizmente. Todo cara que está na rua sem fazer nada deveria ser abordado. Não está trabalhando pq? Como está pagando suas contas? Se o cabra não gosta de trabalhar e prefere roubar, cadeia nele, caso contrário, daqui a pouco todos irão preferir ficar de braços cruzados.

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      1. Amigo. Não distorça os valores. Vingança é o ato de buscar a reparação de um dano a qualquer preço. Justiça é aplicação devida na lei, da proporção de algum crime. Vamos deixar estas “filosofias de botequim” de lado e voltar para a realidade. Se você é do tipo que consegue assistir ao vivo ou pelas reportagens de Tv, todo os tipos de crimes serem cometidos e fica se preocupando com a vida pregressa do bandido e não com a vítima, é porque está na hora de buscar um analista. A verdade meu caro é uma só. Todo ser humano tem direito a fazer as suas escolhas, não importa se saiu da favela ou dos “Jardins”. Se partir do princípio que todo o favelado tem por sua malfadada existência, o direito de sair por ai roubando e matando, seria de igual direito o Estado “pulverizar” estes bolsões de pobreza, já que se conclui que dali só sairia bandidos e assassinos. Ora caro amigo, você e eu sabemos muito bem, que da favela saiu grandes personalidades. E não é de igual monta achar que todo “”riquinho” é miserável, desumano e egoísta. Lógico que há muita politicagem neste assunto, pois o político só gosta de investir em obras que lhe tragam prestígio. Até concordo com algumas mudanças no sistema carcerário, mas o principal é que o preso tenha a sua justa condenação aplicada a rigor, em um ambiente salubre e extremamente disciplinar, com boa alimentação, assistência médica e esportiva, mas com a obrigatoriedade dele estudar e trabalhar para pagar os prejuízos causados à suas vítimas e ao estado. Conforme a gravidade de seus crimes, poderia haver redução de pena, que em caso de reincidência, essa mesma dobraria. Nada de “Indultos” ou visitas intimas, pois tais privilégios não passam de uma agressão ainda maior e desrespeito as vítimas, que quase ou nunca, são assistidas depois do crime. Morei muitos anos no Capão Redondo, numa época em que a ROTA era temida pelos criminosos. Morava numa casa de dois cômodos e um banheiro, ao lado de uma favela. Com meu pai, não tinha conversa. Bastava a roupa dele não estar bem lavada, ou o café não estar bem quente, que sobrava porrada pra todo mundo. Vendia picolé para juntar uns trocado e comprar utensílios de cozinha para minha mãe, que era ótima cozinheira. Fiz o máximo que pude para terminar o meu segundo grau. Tive que sair de casa aos 16 anos, e cheguei a passar fome. E passado por muitos infortúnios, nunca tive a menor vontade de me “vingar” do mundo por isso. Hoje tenho o meu comércio e junto com a minha esposa, lutamos para dar um futuro melhor para os nossos dois filhos. Então amigo, não sou “Fruto do Ambiente” em que vivi. Apenas fiz as minhas escolhas e a maior delas, foi não me envolver com nada que me fizesse sentir vergonha de mim mesmo, ou dos meus filhos.

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