Lembra quando sua mãe falava “não vai dar confiança para estranho, hein?” antes de irmos a algum lugar sozinhos? Quando crianças, é bem perigoso conversar com quem não conhecemos, seja em qualquer lugar. Sempre tive medo do homem do saco que rouba criancinhas, essas coisas, e acho que a maioria das pessoas também tinha. Mas, passada a infância, esse “não vai dar confiança para estranho, hein?” se torna exatamente o contrário.

Como não dávamos confiança para estranhos, acabamos que vivemos rodeados por pessoas iguais. Tudo bem, ninguém é igual e existe uma certa diferença entre todo mundo. Mas, em sua essência, todas com o mesmo pensamento daquele meio. Todas compactuando com a mesma opinião de sempre, na maioria das vezes o senso comum é quem dita as regras da casa.

Com a chegada da internet, tudo mudou. Nós não conversávamos com estranhos na rua e na web nós não conversávamos com conhecidos. Conversei e criei amizade com pessoas de diversas partes do Brasil. Acre, Roraima, Amapá, Ceará, Alagoas. Todos esses lugares que a TV não mostra, conheci um pouquinho graças às pessoas que conversei. Pessoas estranhas até então.

Não consigo entender como pessoas conseguem viver sem conhecer o desconhecido, aquilo que não é banal para ela. Como pessoas conseguem viver rodeadas de pessoas em que todas têm a mesma opinião sobre tudo. Não discutem, não debatem. Oras, debater sobre o quê? Todo mundo pensa da mesma forma.

Desenvolvi uma vontade imensa de conhecer pessoas, de ouvir o que elas têm a dizer. Como elas veem o mundo, o que querem da vida, o que esperam das pessoas. As bandas favoritas, os filmes que mais gostam e o livro que têm na cabeceira da cama. Passamos anos ao lado de pessoas e não sabemos nada sobre elas.

Eu quero viver em um mundo onde ninguém fala “eu não precisava saber disso” ou “melhor ouvir isso do que ser surdo”. Seria lindo.

Ao mesmo tempo que essa vontade de conhecer as pessoas me dá mais vontade de viver, a mesma me frustra muitas vezes. Lancho quase todos os dias em uma lanchonete na faculdade. Sou atendido pelo mesmo cara simpático sempre, e mesmo assim não sei nada sobre ele, e ele nada sobre mim. É algo tão triste. Só nos encontramos naquela hora do dia em que eu passo o dinheiro e ele me entrega o hambúrguer.

Gostaria de saber seus gostos, talvez ela seja uma pessoa interessantíssima. Ele tem uma filha e uma esposa que trabalham com ele, eu queria tanto conhecê-las. Talvez ele tenha uma visão mais sóbria sobre a atual situação do Brasil, ou talvez ele tenha uma visão extremamente oposicionista e pessimista. Como vou saber? Me sinto impotente.

Da mesma forma que quero conhecer as pessoas, quero que elas me conheçam. O que eu tenho a falar vale muito mais do que a roupa que eu visto e a imagem que eu passo, e eu tenho tanto a dizer.

Converse com estranhos. Pule a vala que separa você do diferente. Deixe o banal de lado e conheça tipos diferentes de pessoas, outros tipo de pensamentos. Mude de opinião ou confirme ainda mais seu raciocínio. Quando você percebe o quanto pessoas são diferentes e que você é apenas um grão de areia em um mundo gigantesco, a vida fica linda. Isso é liberdade.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

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