Foi ontem. Depois de constatar o excesso de pequenos azares na minha vida, decidi tomar uma providência. Profissionalmente bastante frustrado e amorosamente com um dedo podre digno de roteiro de novela mexicana, recorri às mandigas esotéricas.

Contei sobre minha situação a uma amiga e ela me indicou um banho de rosas. Brancas, para questões profissionais, e vermelhas, para questão amorosas. Disse a ela que estava precisando de um banho com uma floricultura inteira. Analisei um pouco e cheguei à conclusão de que um grande amor não é minha prioridade agora, embora eu chore no chuveiro às vezes ao som de Lykke Li, e me emocione com qualquer filme de temática gay, por mais clichê que seja.

Fui à floricultura e fui atendido por um menino de no máximo 17 anos. Claramente gay e com cara de quem entende dessas coisas, me senti constrangido e soltei uma mentira pra lá de desnecessária: “É pra um trabalho de química.”

Cheguei em casa e coloquei dois litros de água para ferver. Quando começou o processo de ebulição, coloquei as pétalas de rosa na panela. Minha amiga também disse seria bom uma colher de mel, então assim o fiz. Quando estava mexendo para o mel dissolver na água com rosas, me senti ridículo. “A que ponto cheguei”, pensei. Mas logo essa sensação passou, porque ou era banho de rosas ou me jogar debaixo de uma cachoeira de pipocas. Optei pelo mais simples.

Deixei ferver por uns cinco minutos com as pétalas e depois desliguei o fogo. Tampei a panela e deixei que ocorresse o processo de fusão da mistura. Acho que durou uma hora, se não me engano. É tipo o tempo até que a água fique morna o suficiente para não te queimar.

Tomei um banho normal antes do banho de rosas. Depois, coloquei a mistura água+rosas+mel numa bacia. Sem molhar a cabeça, utilizei um recipiente para ir jogando do pescoço para baixo. Enquanto fazia isso, memorizava coisas boas, bem simples aliás, mas que fariam diferença para mim.

Depois do banho de rosas, sem me secar, para que meu corpo absorvesse toda a energia, saí do banheiro e me deitei no tapete da sala. Olhando para o teto, pensei em tudo o que vinha acontecendo, e se eu tinha realmente que passar por todo esse momento de frustração. Enfim.

Meu corpo se secou pouco antes da hora em que começo a me arrumar para ir à aula. A sensação foi de realmente limpeza e suavidade. Me senti mais sereno e calmo. Espero que o banho tenha algum efeito, se não, pelo menos me senti leve por um momento.

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Posted by:Hernandes Matias Junior

Eu acordo cedo nos feriados. O vício da rotina não me permite acordar depois das nove, ao mesmo tempo que a TV me bombardeia sem tréguas com a programação da manhã e me causa sonolência, mas não tédio. Tédio é sentimento de pessoas que não têm inspiração, e isso é o que não me falta.

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