‘Weekend’ é um filme de drama romântico dirigido por Andrew Haigh. Nele, dois homens, Russell e Glen, se encontram e começam um relacionamento uma semana antes de Glen se mudar para os Estados Unidos. Os dois passam apenas o final de semana juntos, mas estes dias foram suficientes para se criar uma conexão entre ambos. É meu filme de temática gay favorito, pois me identifico muito com Russell, e ainda não sei se isso é uma coisa boa.

Passamos anos ao lado de pessoas nas quais não temos intimidade, e é impressionante como outras conseguem se encaixar perfeitamente em nossas vidas a ponto de sermos quem realmente somos. Intimidade não tem nada a ver com estar perto. Já passei, e estou quase passando de novo, por uma situação parecida com ‘Weekend’, na qual me identifiquei muito com uma pessoa automaticamente, criamos um vínculo e depois ela se foi. Por outro lado, conheço meus pais há 20 e não tenho intimidade com ambos.

Para se ter intimidade é necessário que haja interesse pela vida um do outro. Meus pais não sabem o que eu quero para minha vida, quais são meus planos, minha banda favorita, o tipo de filme que eu gosto de assistir, os livros que eu gosto de ler. Eu sou isso que eu consumo.

Existe uma barreira para falar sobre algumas coisas com meus pais. Orientação sexual, nem pensar. Não vejo um porquê. Falo da minha vida para quem está interessado nela.

Sempre que você fala que é gay, a maioria das pessoas já imagina um pênis entrando em um ânus. E só. Você pode ser uma pessoa maravilhosa, mas basta falar que você tem uma orientação sexual diferente da maioria para que sua imagem seja completamente distorcida. Não acho que minha orientação sexual me defina. Aliás, não há nada que me defina menos. As camisetas que eu uso valem muito mais.

Brincamos muito falando que “intimidade é uma merda”, mas não há nada melhor que estar com alguém sem máscaras, alguém que gostamos e que gosta da gente de volta. Queria muito conhecer algumas pessoas que conheço há anos. Saber como elas veem o mundo, do que elas gostam. Você tem uma música que mexe com você? Algum filme que se identifica? O que você acha disto? O que você acha daquilo?

Podemos viver anos com pessoas incríveis sem conhecê-las. O mesmo pode acontecer com elas em relação a nós. Gostaria de que todos fossem do tipo que gosta de ouvir o que os outros têm a dizer. Seria incrível um mundo onde frases como “eu não precisava saber disso” ou “melhor ouvir isto do que ser surdo” não existissem.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

2 replies on “A intimidade que não temos

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