Sempre reclamei de crianças. Tudo nelas me irrita. Suas manias de ter toda a atenção para si, suas roupinhas, a teimosia, a birra. Lembro-me como se fosse ontem de um episódio no supermercado onde um menino chorava gritando aos céus porque queria um brinquedo e sua mãe não queria comprar. Aquilo marcou minha vida e a partir dali eu peguei ódio de criança.

Criança é algo ligado a chatice e breguice. Quem nunca ouviu alguma frase do tipo “meu filho dorme a noite inteiraaa desde os três meses”? É a frase mais chata a se ouvir. Outra coisa que irrita é quando o pai ou a mãe coloca a criança para falar ao telefone com a tia, a avó, ou até com você. Já aconteceu comigo e eu fiquei traumatizado. Primeiro porque pode acontecer da criança não falar nada e você ficar com cara de idiota do outro lado da linha. Segundo porque a criança pode falar um monte de coisas e você não entender nada. E também ficar com cara de idiota no outro lado da linha. Aí eu te pergunto: pra quê colocar criança para falar ao telefone?

Quando se está em um ambiente e chega uma criança o assunto é totalmente interrompido, não importa qual seja, porque todas as pessoas querem pegá-la no colo, e com certeza a pessoa paparicando a criança no colo virá em sua direção com a intenção de você paparicar também. Não é um saco?

Uma criança já é algo insuportável, imagina quando elas se juntam? Quem trabalha em creche deveria se aposentar aos 35 anos. É difícil acreditar que sexo é tão bom e produz seres deste tipo.

Acontece que agora eu já não penso mais assim. Não sei em que momento isso aconteceu, mas um dia me peguei vendo minha prima de quatro anos e pensando “é, eu quero ter uma filhinha”. E daí eu comecei a pensar em outras coisas.

Mário Sérgio Cortella disse uma vez que “o mundo que deixaremos para nossos filhos depende dos filhos que deixaremos para o nosso mundo”. Imagina criar alguém com os seus ideias e com base em tudo aquilo que você acredita. Aquilo que você não recebeu do seu pai e da sua mãe. As conversas que vocês não tiveram, os passeios que vocês não fizeram. Você poderia fazer tudo isso com sua filha. Formar alguém empático, ético, que não vê as coisas pelo automático.

Imagina uma festa de aniversário com o tema Frida Kahlo? Seria incrível. A gente também pode fazer da Tarsila do Amaral. Aliás, ‘Abaporu’, daria um ótimo mural atrás da mesa com o bolo. A festa da minha filha seria assim.

Eu a incentivaria a ter o hábito da leitura, coisa que meus pais não fizeram e que eu aprendi comigo mesmo. Assistir a bons filmes é algo que pode mudar uma vida, como conta o livro ‘Clube do Filme’. Ouvir uma boa música é também uma qualidade. Minha filha usaria roupinha do The Knife. Desde cedo iríamos praticar a boa solidariedade com os mais necessitados. Discutiríamos sobre diversas coisas, como o jeito de ver o mundo, o que você acha disso, o que você acha daquilo e porquê. Eu a conheceria. Resumindo, teria intimidade com ela.

Eu não sei se terei uma filha, mas af, eu já tô ficando tão brega.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

4 replies on “É, acho que eu quero ter uma filhinha

  1. Adorei o texto porque já passei por isso de odiar criança e hoje eu acho lindo e também queria ter uma filha ou um filho. Parabéns, adoro o jeito que você escreve.

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