Eu gosto de futebol, sou atleticano e acompanho praticamente todos os jogos do meu time. Acho um esporte emocionante que gera um fanatismo sem tamanho. Muita gente gosta mais do Brasileirão que da Copa do Mundo, eu inclusive sou mais atleticano que brasileiro, porque se tem uma coisa que é legal é provocar.

Estive pensando muito ultimamente no que as pessoas escrevem e falam para provocar torcedores de times adversários. A violência sexual é aclamada e naturalizada neste ambiente esportivo. Racismo, machismo e homofobia, estes que estão impregnados em nossa sociedade, aqui também se faz presente.

O goleiro Aranha, vítima de racismo na partida entre Grêmio e Santos no ano passado, além de ter sido chamado por centenas de pessoas de “macaco”, ainda teve que ouvir pessoas falando, inclusive Pelé, que a atitude dele de denunciar os atos racistas estava errada, que aquilo era normal. Muitas outras pessoas falaram que no estádio pode, que é apenas uma forma de desconcentrar o adversário. Patrícia Moreira, a gremista flagrada claramente soltando gritos racistas na Arena do Grêmio, foi simplesmente abraçada pela população brasileira, que mais uma vez inocentou o opressor e culpou a vítima. Patrícia ganhou muito espaço na mídia, principalmente a televisiva, onde mostravam seu arrependimento e redenção. Depois de toda repercussão, a mesma, que tinha perdido o emprego, foi convidada para trabalhar na ONG Central Única de Favelas.

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Assim como na sociedade como um todo, no futebol o feminino é tido como fraco. Chamam-se cruzeirenses de “marias” e atleticanos de “lurdinhas”. Usando referências ao sexo, o “passivo” é quem leva a pior. Um time não goleia, ele estupra. É também comum o uso do verbo “arrombar”. Mandar “chupar” também é muito recorrente e gera o sentimento de que quem chupa é inferior a quem é chupado, como se chupar fosse algo ruim. Assistindo a uma partida do Campeonato Brasileiro, é possível ouvir frases como “vai tomar no cu”, que também evidencia a ignorância de quem a fala. Esta referência ao sexo anal detêm o mesmo sentimento do mandar “chupar”, onde quem “come” é superior aquele que é “comido”. Raciocínio que exclui uma possibilidade de prazer, onde não se é possível gostar de ser “comido”.

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Em um ambiente dominado por héteros, é comum desconstruir o adversários utilizando-se de apelidos de cunho homofóbico. São-paulinos são “bambis”, colorados são “coloridas” e fluminense são “florzinhas”. O sentimento aqui é que ser gay é ruim e que o hétero é superior. Essas provocações são tão naturais ao nosso dia a dia que nem percebemos quando escutamos, e muitas vezes até as reproduzimos sem perceber. Cabe a reflexão, porque quem usa de tais falas mostra que não sabe nada sobre futebol, e muito menos sobre sexo.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

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