Maria Julia Coutinho é jornalista, paulistana, tem 37 anos e é responsável por apresentar a previsão do tempo no Jornal Nacional. Antes de integrar o grupo de apresentadores do principal jornal do Brasil, Maju apresentou o Bom Dia SP, Bom Dia Brasil e Globo Rural, recebendo elogios por onde passou. Até aí, tudo normal. Mas há uma coisa que, teoricamente, nem deveria fazer tanta diferença, mas na prática ainda é uma cruz a se carregar: Maria Júlia é negra.

A garota do tempo já vinha sendo vítima de racismo na internet, mas hoje as ofensas foram na página do Jornal Nacional no Facebook, na qual os racistas atacavam, sem nenhum medo de qualquer punição, xingamentos como “macaca” e “negra desgraçada”.

Uma mulher, e ainda por cima negra, em destaque incomoda muita gente. Existem pessoas que gritam aos céus que no Brasil não há racismo, e que os negros se fazem de vítima. Mas basta uma mulher negra aparecer apresentando a previsão do tempo que o ódio aparece como uma força maior, impossível de ser domada.

Toda essa raiva coletiva é porque pessoas acham que o lugar de Maju, por ser negra, não é ali, apresentando a previsão do tempo. Talvez o lugar dela seja limpando o chão do estúdio, ou cuidando das roupas que os jornalistas usam. Para muita gente, quem deveria estar apresentando a previsão do tempo é uma mulher branca, se possível loira de olho claro.

As ofensas a Maria Julia Coutinho aconteceram um dia após, em um grupo no WhatsApp, uma colega falar que o racismo em nosso país é algo ilusório. Questionada por mim sobre por quantos médicos negros ela foi atendida, a mesma se calou, mas mesmo assim não mudou de opinião. Segundo ela, para conseguir chegar em um alto cargo, basta correr atrás, como se a vida fosse um livro do Paulo Coelho. Ou seja, segundo a mesma, os negros não estão em altos cargos porque são preguiçosos, acomodados. Quando convidei todo mundo a se questionar quantos negros em altos cargos eles conhecem, a colega citou os únicos 2 negros que conhece. Trazendo a problemática para nosso ambiente comum, a faculdade, perguntei quantos professores negros deram aula para eles naquela instituição.

Maju com certeza lutou muito para chegar onde está. As ofensas, infelizmente, não são as primeiras nem serão as últimas que irá receber. É preciso punir pessoas que propagam o racismo. Tampar este mal com a peneira e fazer vista grossa é consentir com o discurso de ódio das pessoas com espírito de porco.

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Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

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