Já é abril de 2015 e o aborto ainda não foi legalizado. Muito se discute, muito se debate mas há sempre o empecilho que é a religião, que carrega consigo um monte de “achares” hipócritas. A pouca leitura aqui é fácil de detectar. Frases ignorantes são faladas como argumento e provocando indignação e vergonha alheia a quem tem o mínimo de bom senso. Neste ambiente, a mulher é sempre tida como objetivo, um berço, onde o que nela importa é apenas o feto e nada mais.

“Sou contra o aborto pois sou a favor da VIDA”

Ninguém é a favor da morte. Você pode ser a favor da legalização do aborto ao mesmo tempo que nunca faria um. Cada um sabe da sua vida e da sua condição. Optar pelo aborto é uma decisão dificílima, e seria olhar para o próprio umbigo acreditar que não há situação alguma que possa levar a mulher a abortar.

“Aborto é ASSASSINATO, é a mesma coisa d’eu te dar uma facada na garganta”

É muito difícil comparar uma mulher que tem de optar pela decisão mais difícil da sua vida, se submetendo a verdadeiras carniceiras e sem o mínimo de dignidade, a uma pessoa que vem em minha direção e corta minha garganta a sangue frio. É muito chocante esta comparação.

“Na hora de VIRAR O ZOINHO, gostou, né?”

Machismo e também misoginia. Aqui já se entra no preconceito contra a mulher que faz sexo. Se você não faz sexo, se você acha que deve permanecer virgem até o casamento, entre outras coisas, bom pra você. Ninguém é obrigado a seguir o que uma crença prega.

“Quem mandou não se prevenir?”

Não existe nenhum método contraceptivo 100% eficaz e não precisa ser nenhum médico para saber disto. Aconteceu com minha mãe, aconteceu com minha amiga e se eu fosse mulher também poderia acontecer comigo. Gravidez acontece. Minha mãe e minha amiga conseguiram segurar a barra de uma gravidez não planejada, mas existem mulheres em situações bem piores que não conseguem nem manter uma gestação, quanto mais um filho.

“Aborto vai virar método contraceptivo”

O aborto não é uma coisa simples. É algo traumático fisicamente e psicologicamente para uma mulher que faz esta difícil decisão. Tendo o mínimo de bom senso não é possível acreditar que uma mulher irá parar de usar camisinha ou parar de tomar sua pílula para engravidar e depois abortar. Nenhuma mulher aborta e depois solta foguete de 11 tiros quando chega em casa. Novamente, questão de bom senso.

“Entrega para a adoção”

Imagine uma mulher mãe solteira que já tem um filho. Esta mulher não trabalha de carteira assinada e de repente se vê grávida. Não trabalhando de carteira assinada, não tem o direito a licença maternidade. Tendo um pouco de sensibilidade, é possível ver o quanto é difícil esta situação. Aqui, a mulher não tem condição de ESTAR grávida. Também é possível levar em conta que o Brasil não tem a cultura da adoção. Quantas pessoas que adotaram você conhece?

“Existem mulheres que têm condição de ter o filho e abortam por SAFADEZA”

A maioria das mulheres que abortam não tem condição. 81% delas já têm um filho. Não precisa pegar a mulher rica como parâmetro. Tendo lei ou não tendo lei, elas vão abortar. A mulher rica tem dinheiro para ir à uma clínica. A mulher pobre, não. Além disso, toda mulher tem o direito de fazer o que quiser do seu corpo. Se você é contra o aborto, não faça um. É muito fácil julgar quando não é você em questão.

“Mesmo assim sou contra”

Depois de todos os motivos aqui citados você não tiver se questionado nem um pouco sobre sua opinião, fica muito difícil. Mudar de opinião é uma coisa linda e é uma prática dos fortes numa sociedade onde quem muda de ideia é tido como fraco. Aborto não é questão de opinião, de religião, de seita, etc. Aborto é uma questão de saúde pública.

LEIA TAMBÉM: Mulheres ricas abortam, pobres morrem.

Anúncios
Posted by:HERNANDES

Eu sou um protesto contra a insensibilidade.

20 replies on “A ignorância contra a legalização do aborto

  1. O mal não está nas mulheres que abortam, enganadas pelo
    desespero. Está no defensor do aborto, que com fala mansa
    pretende induzi-las a tornar-se homicidas. Caso elas aceitem a
    proposta, das duas uma: ou estarão criando ainda mais um
    motivo de culpa, sofrimento e desespero, ou então terão de
    sufocar no seu coração todo sentimento de culpa, tornando-se
    frias e desumanas como seu pérfido conselheiro.

    Curtir

  2. Bem… Isso é realmente um assunto muitíssimo delicado. Primeiro, o aborto é realmente algo muito triste que deixará sequelas físicas e emocionais na mulher, além de retirar a vida de um ser indefeso.
    Mas, legalizá-lo teria justamente o efeito contrário! Ou seja, bem menos abortos aconteceriam! Pois, as mulheres, que passam por uma gravidez indesejada e que NÃO tem condições psicológicas para cuidar da criança, irão abortar de qualquer jeito. Elas irão parar em clínicas clandestinas, irão tomar overdose de remédios para provocar um aborto, etc.. etc.. Logo, nada as impedirá!
    Tem-se que ter em vista que muitas coisas mudam na vida de uma mulher, quando esta engravida: há o lado social (pessoas julgá-la-ão pela gravidez indesejada, logo ela pensa em resolver o “problema” antes que saibam); há o lado financeiro (criar uma criança decentemente custa muito dinheiro, pois, caso essa mãe não consiga dar a educação, as oportunidades, as intervenções certas, ela carregará o peso da responsabilidade pelo futuro do seu filho. E também tem de se observar que nem sempre seria culpa dessa mãe pelo perfil desviante do filho, sim de más companhias ao longo vida, etc, mas ela carregará a culpa pela vida inteira); há o lado emocional/psicológico (nem todas as mulheres têm cabeça para arcar com uma responsabilidade desse porte, então simplesmente entram em pânico), dentre outros fatores.
    O que eu quero dizer no final de tudo isso exposto, é que se legalizar, essas mulheres teriam aonde recorrer, ou seja, um suporte profissional de clínicas, médicos, psicólogos, toda uma equipe preparada nesse assunto para recebê-la sem o julgamento e opinião de senso comum, dando-lhe o espaço necessário para pensar com cuidado, o apoio, a orientação sobre esse momento tão delicado, o qual envolve os fatores supracitados. No final, muito provavelmente, essas mulheres desistiriam dessa ideia do aborto por ver outras alternativas no fim do túnel.
    Quantos de nós não tomamos atitudes impulsivas ante a uma situação que simplesmente mudará o resto da sua vida para sempre?
    Isso assusta qualquer um, então precisamos de um apoio e de uma orientação de alguém mais sabido e especializado para nos acalmarmos e pensarmos com racionalidade. E, com essa situação, não é diferente. Mas, como há muito tabu e preconceito envolvido em torno do aborto, muitas mulheres optam por não buscar opinião de ninguém e acabam se arriscando e prejudicando ainda mais seu psicológico =/

    Quanto mais deixar-se por resolver assuntos de cunho importantíssimos, como esse, pelo calor da emoção, menos soluções realmente práticas surtirão, e mais se agravará esses tipos de situações, em vez de solucioná-las.

    Curtir

      1. como eu disse, apoio em casos necessários, se for uma difícil decisão é porque deve ter um motivo convincente que o casal se veja obrigado a aderir o aborto, e isso se encaixa no meu conceito de ”necessário”. Mas um apenas ”fizemos mas/e não queremos mais eu não apoio

        Curtir

  3. É uma questão ampla que afeta muitas pessoas. Independente de leis cada qual acaba escolhendo a forma como quer lidar com sua vida e com uma gravidez.

    Talvez devêssemos nos dedicar mais nas escolas, famílias e demais entidades sociais a discutir sobre estes assuntos.
    Algumas questões que surgem:
    – na gravidez existe uma nova vida que será extinta;
    – mas se esta criança nascesse teria um ambiente, pessoas dedicadas à elas e as condições para tornar-se uma pessoa socialmente realizada?
    – existe o conhecimento sincero pelos jovens quanto a sua sexualidade e quanto ao uso de preservativos?
    – muitas meninas/mulheres que engravidam estariam com isto buscando status de mães ou tentando “amarrar” uma relação?
    – os homens que engravidaram estas mulheres muitas vezes somem ou simplesmente se recusam a aceitar ser pai, estes homens estão recebendo o conhecimento necessário para assumir esta posição de pai?
    – nossa sociedade consumista pode estar incutindo valores sociais onde a vida tem menos valor do que o dinheiro, que um filho que não possa ter x ou y em dinheiro para o seu futuro é melhor nem nascer…
    Penso que o aborto é uma consequência, mas as causas são mais profundas e teriam também muito sentido em serem discutidas pela sociedade.

    Curtir

    1. a maioria das mulheres que abortam são casadas, tem religião e já possuem pelo menos um filho. a maioria aborta por não ter condição de ter outro filho. são mulheres pobres, negras e que nao tem/tiveram oportunidades na vida. é muito estranho criminalizar uma vítima da sociedade preconceituosa, machista e racista.

      Curtir

  4. O lamentável de tudo isso é que o aborto aparece como solução total, para o problema, ou seja, acabou a gravidez, acabou-se o problema, não importa qual seja a razão em escolher o aborto como solução ,
    Confesso que não gosto muito do argumento do tipo “o corpo é meu”, pois, penso que se o corpo pertence a mulher, a vida que está sendo gerada não, por não ter nada a ver com as peripécias ou infortúnios que levaram a gravidez.
    Também não sou hipócrita, sei que há situações em que “obrigar” a mulher a levar adiante uma gravidez seria o mesmo que torturá-la, como no caso de um estupro, por exemplo.
    Entendo por “legalização”, a oferta por parte do ESTADO, assistência médica e psicológica a mulher que realmente e de total consciência deseje tomar tal atitude.
    Meu exemplo:
    Meu filho, hoje com 17 anos, o qual morreria por ele, não estaria aqui se essa atitude fosse tomada na época, onde ainda éramos solteiros e nem mesmo planejávamos casamento, com a gravidez chegamos a a consultar contatos para realizar o aborto, não era de nosso interesse naquele momento casar e já de cara criar um filho.
    Pois bem, acabamos por aceitar o desafio e não houve arrependimento, coisa por PODERIA TER se outro caminho houvesse sido tomado.

    Curtir

    1. parabéns, josé, você conseguiu. infelizmente mulheres tomam esta dificil decisão porque realmente não podem ter um filho. do contrário, com certeza o teria. não podemos julgar pessoas que nós não conhecemos. a decisão do aborto é tomada pelo casal e principalmente pela mulher. o corpo é dela e ela aborta se quiser. ela é quem decide se quer ou não ser mãe.

      Curtir

  5. Não são 100% (existem mulheres também), mas os detratores do aborto geralmente são homens… Parafraseando (se não estou enganado) o Dr. Dráuzio Varela: Se homem engravidasse, o aborto já estaria legalizado… Eu creio que isso seja a mais pura verdade… Pode-se levantar “N” argumentos a favor ou contra, porém no fim a opinião masculina NÃO TEM O MESMO PESO da feminina… Simples assim…

    Isso impede os homens de opinar sobre o assunto? Claro que não… Todos tem o direito (quiçá a obrigação) de debater temas de implicações morais e sociais de tamanha importância/impacto… Todavia, a meu ver, nesse caso a decisão final cabe às mulheres, pois as implicações físicas/psicológicas de uma gravidez/aborto, pesam nos ombros delas… A mulher não perde o status de “ser humano” quando fica grávida… Privar ela de decidir sobre o próprio corpo é tratá-la como uma incubadora…

    Se eu acredito que a melhor opção é legalizar o aborto? … Não sei …
    Só sei que se não debatermos seriamente sobre o assunto, esse impasse nunca terá fim… Enquanto para alguns é uma questão moral/religiosa/política/ética/jurídica ou seja lá qual for o motivo, para muitas mulheres é um caso de vida ou morte…

    Curtir

    1. Exatamente, Fabio. Acredito que a legalização do aborto é uma urgência, já passou da hora. Estou cansado de ver tantas mortes de mulheres pobres e negras que são VÍTIMAS da sociedade preconceituosa, machista e racista. As mulheres POBRES é quem morrem. A legalização do aborto é uma questão de saúde pública.

      Curtir

  6. Abortar é decretar a morte de um outro ser humano. Seja qual for o estágio de desenvolvimento dele. Não existe isso de “ain, é difícil, mas realmente tenho que matar meu filho e talz…” Esse argumento é absurdo. Assim como dizer que o corpo é seu e você tem o direito de matar quem quiser por isso.

    Sim, vamos usar as palavras com seu significado verdadeiro. Matar sim. Matar, mutilar, destruir um corpo humano pra perseguir seu próprio egoísmo. E pra não arcar com suas responsabilidades por uma noitada mal planejada. O aborto não é defendido pela favelada do morro. É defendido pela patricinha da facul.

    A mulher tem a opção de não engravidar. Mas jamais a opção de se livrar da criança por “falta de condições”. Não existe diferença ética entre matar um feto e um bebê. São apenas alguns meses de crescimento diferenciando um do outro. Seres humanos não passam por estágios “larvais”. São sempre seres humanos.

    Você está relativizando a vida sob o disfarce da justiça social. Isso sim é uma tremenda ignorância. Juvenil demais, superficial demais.

    Curtir

    1. Davis, você querendo ou não, as mulheres abortam. Não há lei que impeça isto. Você prefere que as mulheres abortem em um hospital ou no meio do mato numa clínica clandestina? Você prefere que as mulheres realizem esta decisão dificil de uma forma segura ou correndo risco de vida? É impossível criminalizar alguém que é vítima da sociedade.

      Curtir

  7. Tenho pena por quem apoia o aborto, não deixar um ser vivo nascer.
    Quem apoia ou faz isso, um dia será cobrado, pode ser nesta vida ou na outra.
    Vai perguntar por que essas só acontece comigo e não vai entender.
    Tanto Mulheres que fazem ou homens que manda fazer.
    Salvo aquelas que não estão com sua faculdades mentais em ordem.

    Curtir

  8. Parabéns por compartilhar este texto a gente. É muito bom ver homens que nos apoiam. A legalização do aborto deve ser aprovada urgentemente. Não aguento mais ver relatos de mulheres mortas e pessoas a julgando-as. Juntos somos mais fortes pela legalização do aborto.

    Curtir

  9. Enquanto a legalização do aborto não for aprovada, a mulher ainda será tida como um objeto. Eu tenho total direito de decidir o que eu quero. Se você é contra, não aborte. Não venham dando palpite sobre meu útero. Ele é meu, e não de vocês.

    Curtir

  10. Apoio completamente a legalização do aborto. Quem são essas pessoas que não me conhecem pra dizer se eu posso ou não ter um filho, não sabendo da minha condição? O corpo É MEU, então sou eu quem decido quando eu quero ter um filho. Cada um cuidando da sua vida tudo fica mais fácil.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s